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Brasil: Aumentam apelos para mais empenho do Governo em localizar indigenista e jornalista desaparecido na Amazónia


Jornalista inglês Dom Phillips (dir), e um indígena Yanomami, em Maloca Papiu, Roraima. Brasil, Nov de 2019

Jair Bolsonaro disse que "pode ser um acidente, pode ser que eles tenham sido executados" e que os dois homens faziam um aventura não recomendável

A Polícia Civil do Estado do Amazonas ouviu nesta terça-feira, 7, uma pessoa por suspeita de envolvimento no desaparecimento do jornalista inglês Dom Philips e do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que mais quatro pessoas foram ouvidas sobre o mesmo assunto, mas que ninguém foi preso, sem no entanto revelar as identidades dos ouvidos.

O indigenista e o jornalista, que trabalha para o jornal The Guardian, encontravam-se no Vale do Javari e desapareceram no domingo, 5, quando faziam o trajecto da comunidade ribeirinha São Rafael até à cidade de Atalaia do Norte.

Eles nunca chegaram ao destino.

A Polícia Civil do disse ter tomado "todas as medidas cabíveis para auxiliar na elucidação do caso, em colaboração ao Ministério Público Federal, Polícia Federal (PF) e Funai".

Jair Bolsonaro reage

O Presidente Jair Bolsonaro comentou que os dois desaparecidos podem estar vivos ou mortos porque onde ocorreu o desaparecimento é "completamente selvagem" e "onde tudo pode acontecer".

Ele afirmou ainda que viagem que os dois faziam no Amazonas "é uma aventura que não é recomendável."

"O que nós sabemos até o momento? Que no meio do caminho teriam se encontrado com duas pessoas, que já estão detidas pela Polícia Federal, estão sendo investigadas. E, realmente, duas pessoas apenas num barco, numa região daquela, completamente selvagem, é uma aventura que não é recomendável que se faça. Tudo pode acontecer. Pode ser um acidente, pode ser que eles tenham sido executados", sublinhou o Presidente.

A esposa do jornalista fez um apelo às autoridades num vídeo gravado com exclusividade à TV Bahia.

“Eu queria fazer um apelo para o Governo federal e para os órgãos competentes, para intensificarem as buscas, porque a gente ainda tem um pouquinho de esperança de encontrar eles. Mesmo que eu não encontre o amor da minha vida vivo, eles têm que ser encontrados, por favor. Intensifiquem essas buscas. Eu não quis falar antes porque a família toda está muito chocada e a gente não está sabendo reagir. Mas eu estou fazendo esse apelo, por favor, para intensificar essas buscas”, disse.

Pedido de organizações

Organizações como WWF-Brasil, Greenpeace Brasil e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura pediram uma maior intervenção e mais célere do Governo e exigiram que o Presidente Jair Bolsonaro precisa dar respostas para o desaparecimento deles.

O porta-voz de Amazónia do Greenpeace Brasil, Danicley de Aguiar, afirmou que o desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Pereira faz parte do retrocesso ambiental que o Governo Bolsonaro tem promovido com empenho nas áreas protegidas e contra activistas ambientais.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura disse em comunicado reforçar "os diversos pedidos da sociedade por uma acção imediata do Estado brasileiro, para que sejam alocados todos os equipamentos e o efetivo necessários das forças de segurança pública e das Forças Armadas, para ampliação das buscas e das investigações, com vistas à solução definitiva do caso".

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