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Bispos católicos moçambicanos alertam para perigo de convulsões sociais devido à Tabela Salarial Única


Dom João Carlos e Dom Inácio Lucas apresentam declaração dos Bispos Católicos de Moçambique (
Dom João Carlos e Dom Inácio Lucas apresentam declaração dos Bispos Católicos de Moçambique (

A Conferência Episcopal de Moçambique alerta que a questão da Tabela Salarial Única (TSU) pode levar a convulsões sociais e agravar o sentimento de desigualdade e injustiça, se não for bem gerida.

Para analistas políticos o assunto levandato pelos bispos católicos pode ser resolvido se houver humildade da parte do Governo.

"Este processo, se não for bem gerido, pode levar a convulsões sociais e exacerbar o sentimento de desigualdade e injustiça; sem uma real inclusão social, a nossa paz e coesão social estarão sempre ameaçadas", disse Dom João Carlos Nunes, bispo de Chimoio, Manica.

Ele referiu que tudo deve ser feito para que este processo não crie sentimentos de injustiça para os grupos que se consideram marginalizados e acrescentou que o custo de vida "continua a arrastar para a pobreza extrema, homens e mulheres já sofridos, que vêm enfrentando um verdadeiro martírio para colocar o pão na mesa".

A questão que se coloca é como é que o Governo pode sair desta encruzilhada em que se encontra mergulhado, havendo quem considere que, se calhar, com um pouco de humildade, se possam encontrar os mecanismos de diálogo, o mais abrangente possível, para que se consiga corrigir os erros detectados.

Isto porque, segundo o analista político Fernando Lima, parece que nas próprias reivindicações, há muito de oportunismo e de questões que, eventualmente, haverá dificuldades de a TSU resolver, "uma vez que que são questões que vão, completamente, ao contrário do objectivo desta tabela salarial".

Lima anota que "a TSU é para fixar salários e eliminar ao máximo, os subsídios que foram remendos, que ao longo dos anos, foram sendo postos e atribuídos e atribuídos aos mais diversos sectores profissionais do Estado".

Nesse sentido, a TSU visa, de algum modo, eliminar uma grande parte dos subsídios e dar mais estabilidade aos salários do funcionário, ou seja, aquilo com que o funcionário deve contar como estabelecido e como algo que não tem qualquer retroactividade, e eliminar elementos de precaridade e de instabilidade como são os subsídios.

Por seu turno, o jornalista e analista político Tomás Vieira Mário é da opinião de que o Governo deve negociar caso a caso, mas de forma que mostre abertura e predisposição para corrigir o que se pode corrigir, “de forma pedagógica, ir mostrando que tem limitações derivadas dos acordos sobre controlo macroeconómico e fiscal que tem com o Fundo Monetário Internacional”.

Desde a entrada em vigor da TSU, vários sectores profissionais, de médicos a professores, de juízes a magistrados, têm mostrado a sua oposição à tabela e ameaçado com greves e protestos.

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