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Benguela: Igreja Católica condena demolições para ‘’beneficiar uma elite’’


Padre Paulino Koteca

A Igreja Católica veio a público condenar as demolições ocorridas na província angolana de Benguela, sem decisão judicial, e refere que a brutalidade e o uso desproporcional da força demonstram actos de injustiça social praticados a favor de uma elite.

Uma semana depois das demolições das mais de 100 casas, uma escola e um posto de saúde no bairro das Salinas, arredores da cidade capital da província, as famílias desalojadas alertam para a falta de condições no espaço onde se encontram provisoriamente.

Vinte e cinco a trinta pessoas em cada sala de uma escola encerrada há alguns anos por falta de condições para os alunos, com fissuras em todos os cantos, sem água, energia e saneamento básico.

São insuficiências que fazem soar o alarme em tempo de pandemia.

Casas demolidas no Bairro da Salinas, Benguela
Casas demolidas no Bairro da Salinas, Benguela

“Nem parece que somos pessoas, em cinco ou seis dias ninguém nos visitou. Parece que já ninguém respeita a doença, estamos aqui atirados, sem máscaras, nem nada. Parece que somos cardumes no alto mar’’, lamentam cidadãos desalojados.

Depois de ter constatado esta realidade, o presidente da Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Benguela, padre Paulino Koteca, afirmou que as autoridades devem deixar de governar para uma minoria.

‘’Não deve haver proteção de uns e sacrificar outros. Estes povos também são angolanos, têm famílias. Ficarem desalojados da maneira que nós vimos … crianças ao relento, abandonadas, o Estado deve por a mão na consciência, não governar só para uma elite, até porque o homem está acima da lei’’, avisa o padre.

Ao assumir a falta de condições no local de transição, o chefe do Gabinete Jurídico da Administração Municipal de Benguela, Eurico Bongue, explicou que as demolições foram levadas a cabo dentro dos marcos da Constituição, ainda que sem mandado do tribunal.

"O objetivo do Estado, aqui representado, e bem, pela Administração Municipal, não visa somente tirar de lá os ocupantes, mas também aproveitar o espaço de forma útil por causa das características geográficas’’, explica Bongue.

O advogado das famílias desalojadas, José Faria, apresentou uma participação criminal contra a administradora municipal e o seu adjunto, Adelta Matias e Lara Ndakayassunga, por abuso de autoridade e danos materiais.

O Governo diz que vai requalificar os 53 hectares em causa e proceder a vendas de lotes.

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