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Autoridades tradicionais pedem cooperativas para exploração legal do ouro na Huíla


Jovens garimpeiros têm sido detidos por procurarem ouro como forma de subsistência

A exploração desenfreada de ouro no município da Jamba, no leste da província angolana da Huíla, está a suscitar acesos debates a nível das comunidades, com as autoridades tradicionais locais a defenderem a criação de cooperativas para integrar os jovens que se dedicam ao garimpo e o consequente fim das detenções.

Apelos para se resolver problema da exploração descontrolada de ouro na Huíla 2:11
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Apesar de não serem conhecidos dados oficiais, Jamba e Chipindo são zonas que entraram na rota do ouro, e da última já surgiram relatos de mortes associadas ao garimpo ilegal por causa dos deslizamentos de terras.

A partir do município da Jamba, a pouco mais de 300 quilómetros do Lubango, o soba Pedro Liandamo, defende a criação urgente de cooperativas para empregar a juventude.

“Se as cooperativas fossem priorizadas ajudariam a maioria tanto os naturais quanto os que vêm de fora”, aponta aquele soba.

Até ao momento desconhece-se o número de jovens detidos devido ao garimpo ilegal de ouro, mas aquela autoridade tradicional se opõe às detenções e levanta algumas dúvidas.

“Os locais tentam tocar nas pedras de onde extraem o ouro, mas são agarrados são presos não sei agora se a pedra é feita para quem e menos para os naturais”?, questiona Pedro Liandamo.

Atento às formas de exploração de recursos naturais na Huíla está o director da Associação Construindo Comunidades (ACC), que é contra a exploração desenfreada e ilegal, mas apoia a exploração de recursos que provoquem impacto nas comunidades locais através da criação de empregos.

“Esta via de criação de cooperativas seria a mais adequada. Criando cooperativas estas vão ter de ser reconhecidas oficialmente e poderá propiciar que tais cooperativas possam contribuir no pagamento dos impostos", defende Domingos Fingo.

O governador da Huíla, Nuno Mahapi, embora diga estar consciente das preocupações colocadas pelas autoridades tradicionais, lembra da existência de normas que regulam o aproveitamento destes recursos em prol do país.

“Não podemos ter a perspectiva de falar da riqueza da Jamba como se fosse um produto exclusivo do município, é um produto exclusivo do país, é esse país vai conseguir aumentar o seu produto interno”, justifica.

O município da Jamba já foi conhecido no passado pelo seu potencial de ferro, numa província que explora igualmente minérios como o granito e faz prospecção do nióbio.

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