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Autoridades brasileiras investigam tráfico humano em barco comprado em Cabo Verde


Baia do Mindelo, São Vicente

Vinte e cinco imigrantes de Cabo Verde, Nigéria, Guiné-Conacri e Serra Leoa foram levados por dois brasileiros que terão recebido 800 dólares de cada um

Os 25 cidadãos de países africanos resgatados no sábado, 19, perto da costa do Estado brasileiro do Maranhão serão ouvidos nesta segunda-feira, 21, pelas autoridades locais que querem conhecer o "drama" por eles vividos até chegarem ao Brasil.

Um agente da Polícia Federal em São Luís, que pediu anominato, disse à VOA que "os imigrantes estão no ginásio, são muitos, e agora estão a passar por muitos exames".

A Polícia Federal, no entanto, já acusou os dois brasileiros responsáveis pelo barco Rossana de tráfico internacional.

Fontes da investigação afirmam que cada imigrante terá pago aos dois brasileiros cerca de 1.200 dólares.

As autoridades disseram que os estrangeiros são de Cabo Verde, Nigéria, Guiné-Conacri e Serra Leoa.

A Capitania dos Portos do Maranhão revelou que a Marinha foi avisada, na manhã de sábado, que havia um barco, supostamente com bandeira haitiana, com 27 pessoas a bordo perto de São José de Ribamar.

Por volta das 19 horas, a Capitania recebeu a informação de que um barco pesqueiro do Ceará estava a rebocar a embarcação e havia oferecido água e mantimentos para os imigrantes.

Ao chegar ao cais, as equipas do Corpo de Bombeiros, do Governo do Maranhão e das polícias Federal e Militar recolheram as primeiras informações com os imigrantes.

Barco comprado em Cabo Verde

A Polícia Federal investiga se houve crime no transporte dessas pessoas ao país e vai avaliar a situação jurídica delas no Brasil.

Os dois brasileiros foram presos em flagrante por tráfico internacional de pessoas, disse o delegado da Polícia Federal no Estado.

Robério Chaves revelou que os dois brasileiros compraram um barco em Cabo Verde com o objectivo de levar os migrantes ilegalmente para o Brasil.

Um dos pescadores que ajudaram no resgate de Rossana revelou que, segundo os ocupantes, "comiam dois biscoitos por dia até há cinco dias quando ficaram sem nada e chegaram a beber a própria urina".

Metade do dinheiro pago pelos imigrantes terá sido usado na compra do barco, enquanto a outra metade terá ficado como lucro para os brasileiros.

O chefe da polícia revelou ainda que a embarcação esteve 35 dias no mar e que os tripulantes passaram muitas necessidades, como comida racionada.

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