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Moçambique: aumentam sinais de alastramento da insurgência islâmica ao Niassa


Mapa de Moçambique: Niassa faz fronteira com a província de Cabo Delgado
Mapa de Moçambique: Niassa faz fronteira com a província de Cabo Delgado

Presidente Filipe Nyusi diz que militares no Niassa "estão à espera dos terroristas" e chefe da Polícia assume que jihadistas aterrorizam distritos naquela província

O comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) assumiu, publicamente, que os jihadistas que aterrorizam alguns distritos de Cabo Delgado alastraram as suas acções à vizinha província do Niassa, onde as Forças de Defesa e Segurança (FDS), terão morto um dos líderes da insurgência.

Bernardino Rafael disse que o líder terrorista foi morto por uma patrulha de reconhecimento combativo das Forças de Defesa e Segurança, em Mecula.

"A nossa patrulha entrou numa emboscada, e no combate que se seguiu, foi atingido um dos terroristas, que era procurado pelas FDS, chamado Cassimo, e que era maulana em Mecula; na sequência da morte deste terrorista, chegámos à conclusão de que os terroristas passaram para a província do Niassa", explicou Bernardino Rafael.

Informações avançadas pela imprensa local indicaram de que um grupo de homens armados terá raptado uma centena de jovens e incendiado lojas e residências na localidade de Naulala, em Niassa.

Entretanto, neste segunda-feira, 13, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, de visita a Cabo Delgado, falando em Balama, disse que os jovens militares do Niassa "estão à espera dos terroristas".

Em conversa com a VOA, a especialista em prevenção do extremismo violento Egna Sidumo considera que a expansão da acção dos insurgentes para a província do Niassa era expectável, tendo em conta a pressão militar que sofrem atualmente em Cabo Delgado”.

"O objectivo dos terroristas é continuar a semear o terror no seio das counidades, bem como a dispersão das forças militares que combatem o terrorismo em Cabo Delgado. Os terroristas sabem que com a dispersão das forças militares, será fácil atacar Cabo Delgado", realça aquela professora universitária.

Contudo, para Egna Sidumo, no Niassa, os jihadistas não poderão actuar da mesma forma como operam em Cabo Delgado, fundamentalmente porque aquela província não tem acesso ao mar, e isso pode dificultar a logística, embora eles possam, em pequenos grupos, desencadear acções militares difíceis de controlar.

Por seu turno, o jornalista Fernando Lima afirma que a possibilidade de o jihadismo se alastrar a outras províncias vizinhas sempre existiu e realça que o cerco aos grupos armados pela ofensiva das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, do Rwanda e da Comunidade para o Desenvolvimento da Áfruca Austral (SADC) obrigou-os a subdividirem-se em pequenos grupos.

Aquele analista políticoanota que o facto de eles atacarem aldeias no vizinho Niassa, não significa que os ataques acabaram em Cabo Delgado.

Por seu lado, o sociógolo Moisés Mabunda afirma também que sempre acreditou na possibilidade de “os terroristas se refugiarem nas províncias vizinhas, assim que fossem pressionados em Cabo Delgado”.

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