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Assassinatos em Luanda levantam perguntas e acusações


Enquanto se aguarda pelos resultados do inquérito anunciado pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) sobre as circunstâncias em que foram executados cinco cidadãos no sábado, 15, analistas e especialistas contactados pela VOA não são unânimes nas suas opiniões sobre quem terá sido o autor dos crimes.

As execuções aconteceram no bairro Capalanga, arredores de Luanda, capital de Angola, e os analistas que falaram com a VOA também discordam em relação às motivações que levaram ao seu cometimento.

O advogado Pedro Capracata diz ser “duvidoso” que seja obra da polícia por considerar ser comum grupos de marginais matarem-se uns aos outros por desentendimentos na divisão dos bens roubados.

“Não posso afirmar categoricamente que as execuções tenham sido levadas a cabo pelo SIC. Só um estudo aturado e isento de qualquer subjectivismo poderá determinar quem foram os autores dos crimes porque pode ser um elemento da mesmo gangue ou de um outro a praticar o crime”, acrescenta.

Entretanto, o porta-voz da Direcção-Geral do SIC, superintendente Manuel Halaiwa, qualificou de "especulação" as informações que atribuem a elementos da instituição a autoria das execuções.

O também especialista em criminalística revelou, à VOA, que dados preliminares obtidos depois de remoção dos cadáveres determinaram que alguns integrantes “tinham passagens pela polícia”.

O jornalista Mariano Brás, director do jornal “O Crime”, considera que a forma como aquelas pessoas foram executadas configura uma acção protagonizada pela polícia ou pelo SIC.

“Não existem marginais em Angola que matam cinco ou seis pessoas daquela forma”, garante Brás que atribui a acção à polícia ou ao SIC “numa troca de tiros com os marginais”.

Ele acredita também não ser obra de algum “esquadrão da morte” mas uma acção que visou “tirar da linha” indivíduos que, em algum momento, eram colaboradores do SIC mas que depois decidiram agir “por conta própria”.

O Novo Jornal revelou, na terça-feira, 18, citando fontes do SIC, que os cinco homens “foram mortos na sequência de uma perseguição realizada por elementos das forças de segurança”.

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