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Assassínio dos empresários chineses em Benguela ligado ao ‘mercado paralelo’ de armas


Almerindo de Almeida, director do SIC em Benguela

Novo director do SIC em Benguela fala das fontes de aquisição de armas

O assassinato dos dois empresários chineses na província angolana é associado à proliferação de armas no ‘’mercado paralelo, alimentado p+or armas que podem sair Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional, revela o novo director do Serviço de Investigação Criminal, sub-comissário Almerindo de Almeida.

No dia da sua apresentação à corporação, nesta quinta-feira, 3, o oficial superior admitiu ser lamentável que cidadãos estrangeiros façam o uso de armas de fogo, provenientes também de empresas de segurança privada.

Uma semana após a morte de empresários que se dedicavam à transformação da madeira, no Alto Catumbela, município da Ganda, o director do SIC/Benguela, questionado pela VOA, reforça o apelo à luta contra um mercado que considera apetecível para os homens do crime, independentemente da nacionalidade.

“É lamentável e perplexo sabermos que cidadãos estrangeiros fazem o uso de armas de fogo.O ‘mercado paralelo` facilita esta proliferação, permitindo a apetência de vários cidadãos, até nacionais. A nossa missão é combater este tipo de crimes, sabendo que as armas podem sair da Polícia, das Forças Armadas e de empresas de segurança. Aqui proliferam as armas’’, alerta aquele responsável.

Em reacção ao pronunciamento de Alemerindo de Almeida, sub-comissário de investigação, o analista político José Cabral Sande admite vários cenários dentro de um comércio quase liberalizado.

“Se eventualmente as pistolas forem do tipo akm ou makarov, só podem ter saído do Exército ou da Polícia Nacional. Mas também há o caso de indivíduos que, na guerra pós-eleitoral e em outras, foram adquirindo no âmbito da resistência popular generalizada. Mas estes, geralmente, não vendem nem entregam, mantém-nas guardadas para qualquer eventualidade’’, indica o analista.

De dentro para fora, Cabral Sande olha para a China, o país dos empresários mortos a tiro, e para a vizinha República Democrática do Congo, com o qual Angola partilha uma vasta fronteira.

“Estes países são uma porta aberta para a aquisição de armas. Não nos esqueçamos que a RDC está em conflito e que as zonas diamantíferas são um autêntico Texas. Os angolanos têm sempre a capacidade de sobreviver de acordo com o momento’’, reforça Sande.

Na Ganda, conforme apurou a VOA, a situação voltou à normalidade, com o chamado ‘’garimpo’’ da madeira na ordem do dia, envolvendo centenas de chineses.

Continuam detidos os três cidadãos, também de nacionalidade chinesa, acusados do assassinato dos comerciantes com quem dividiam um estaleiro.

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