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Apreciação do metical não é sustentável, consideram economistas moçambicanos


Metical, moeda de Moçambique

Em Janeiro, um dólar americano equivalia a cerca de 80MT. Agora equivale a menos de 60.

A moeda moçambicana, o metical, tem vindo a apreciar-se, significativamente, em relação ao dólar, mas economistas dizem que isso não tem nenhum benefício para a economia e muito menos para os moçambicanos, sobretudo porque não é sustentável a longo prazo.

Apreciação do metical não é sustentável, consideram economistas moçambicanos
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O Banco de Moçambique, durante algum tempo, deixou que o metical se depreciasse muito, chegando a quase 80 meticais por dólar, mas depois teve de intervir para evitar situações mais complicadas na economia, principalmente a subida dos preços de bens de consumo.

O economista João Mosca, diz que o Banco Central injectou muito dinheiro no mercado monetário, e face a essa oferta grande de dólares, o metical apreciou-se, mas isso não é uma opção sustentável, na medida em que a economia, ela própria, tem uma tendência para que o metical se desvalorize, porque as importações aumentam, as exportações diminuem e os investimentos externos baixam".

Além disso, diz Mosca, "o crime das dívidas ocultas não está resolvido, a dívida com a China está a aumentar, o que faz com que os agentes económicos e parceiros internacionais não tenham confiança na economia moçambicana".

Inflação está alta

A economista Leila Constantino diz que a apreciação do metical se deve ao facto de o Banco Central norte-americano ter injectado cerca de 2.2 trilhões de dólares, devido à pandemia da COVID-19, o que fez com algumas moedas se valorizassem, incluindo a moçambicana que se apreciou em 17 por cento, depois de o dólar ter caído dos cerca de 80 meticais, em finais de Janeiro, deste ano para pouco mais de 58, presentemente.

Contudo, aquela economista sublinha que esta apreciação do metical não tem nenhum impacto na economia, porque neste momento, a inflação é alta, para além de que não tem qualquer sustentabilidade ao longo do tempo.

Aquela economista defende que o Banco Central deve implementar medidas assertivas para controlar a taxa de câmbio e asseguar que as suas medidas surtam efeito na economia nacional.

Reduzir as taxas de juro

"Quando, há alguns meses, o Banco de Moçambique aumentou as taxas directoras, principalmente a taxa mínima, o objectivo era controlar a inflação, mas até agora a inflação está alta", realçou aquela economista.

Entretanto, o presidente da Confederação das Associações Económicas-CTA, Agostinho Vuma, enfatiza que mesmo com a apreciação do metical, Moçambique continua sem capacidade para comprar o dólar a 60 meticais por unidade.

Para Vuma, o mais importante, agora, é a redução das taxas de juro, dos custos de produção e aumento de investimentos, para fazer face ao défice da balança de pagamentos, uma vez que a valorização do metical face ao dólar, cria oportunidade para o Banco Central baixar as taxas de juro.

No seu entender, isso vai estimular os investimentos e a produção interna, para fazer face ao défice da conta corrente.

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