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Apoio a Israel enfraquece dentro do Partido Democrata


Joe Biden quando era vice presidente de Barack Obama com primeiro ministro israelita Benjamin Netanyauh

O conflito entre Israel e o movimento palestiniano Hamas trouxe ao de cima divisões dentro do Partido Democrata que colocam o presidente Joe Biden numa posição difícil.

Biden enviou o secretário de Estado Anthony Blinken ao Médio Oriente para tentar fazer avançar o cessar-fogo entre Israel e o movimento palestiniano Hamas para negociações que possam levar a uma solução de um conflito que parece não ter fim e que a nível interno nos Estados Unidos está a ter repercussões que pelo menos dentro do Partido Democrata põem em causa a tradição de apoio a Israel.

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Alguns legisladores deste partido tentaram mesmo bloquear a entrega de mísseis no valor de mais de 700 milhões de dólares a Israel.

Embora os pormenores concretos de propostas americanas a serem apresentadas por Blinken na sua viagem ao Médio Oriente estejam ainda por ser tornadas públicas é agora uma certeza que a administração Biden quer apostar de novo numa solução que envolva a criação de um estado palestiniano, a chamada solução de dois estados.

A ‘Diplomacia Silenciosa’ de Biden com Israel pode ser sua marca registada
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Se nas iniciativas diplomáticas a administração Biden parece ter decidido regressar ao passado abandonando a política de Trump de dar prioridade a fomentar acordos entre Israel e países árabes esperando que isso arrasta-se os palestinianos para uma posição mais maleável, internamente dentro do partido Democrata o apoio a Israel parece estar a enfraquecer.

Sondagem indica crescente apoio entre Democratas aos palestinianos

Guy Benson comentarista em questões de política americana disse que uma nova sondagem “mostra que quando perguntaram a Democratas com quem simpatizam mais neste conflito, mais Democratas dizem com os palestinianos do que com os israelitas”.

“Eu penso que isto é uma mudança extraordinária que estamos a ver no partido Democrata”, disse Benson para quem “alguns na velha guarda permanecem pró-Israel mas os mais jovens, mais vocais e em crescimento da ala de esquerda progressista, decidiram ir para o lado dos palestinianos e em alguns casos amplificam o que é na verdade propaganda do Hamas”.

“Penso que os Republicanos estão muito mais unidos nesta questão, os independentes permanecem pró Israel, mas há aqui uma verdadeira luta dentro do partido Democrata nesta questão”, acrescentou.

A notar no entanto que Joe Biden afirmou e de forma clara e sublinhada que o seu governo continua a apoiar o direito de Israel à auto defesa embora tenha também tornado publico declarações pressionando o governo israelita a pôr temo às suas acções armadas contra o Hamas.

Relações entre Netanyahu e Trump transformam apoio a Israel “em questão partidária”

Na cadeia de televisão ABC Sarah Isgur antiga porta voz do departamento de justiça durante a administração Trump disse que esta nova situação dentro do partido Democrata é um problema para o presidente

“Joe Biden está encurralado porque a maioria dos americanos ainda apoiam Israel enquanto na base dos Democratas vimos um enorme salto nesta questão que se está a tornar numa questão partidária”, disse.

“A administração Biden tem um problema, porque quando Israel se aproximou muito da administração Trump isto tornou-se numa questão partidária”, acrescentou

Para Donna Brazille que foi presidente do Comité Nacional do Partido Democrata cresce o apoio a uma solução de dois estados e avisou que aumenta também dentro do partido a condenação a Israel.

“Há uma crescente condenação quando Israel se defende, há um crescente número de pessoas a quererem ver uma solução de dois estados e penso haver um grande apetite para que não só o presidente mas também o primeiro ministro israelita tentem trabalhar com os palestinianos e isso vai continuar, não vai parar”, disse Brazille.

Isto contudo é visto com ceticismo por alguns analistas que apontam para o facto de durante décadas se tentar seguir essa via sem qualquer solução de compromisso.

Israel não tem interlocutor "a não ser genocidas".

George Will comentarista do jornal Washington Post e da cadeia de televisão ABC quando interrogado sobre a solução de dois estados afirmou que “isso é inconcebível e provavelmente já o é há algum tempo”.

“ Israel ainda não tem um interlocutor que não seja genocida, isto é que não queira destruir Israel e destruir os judeus porque são judeus”, disse Will que criticou “alguém no departamento de estado (que) a tentar dizer algo anódino acabou por dizer algo idiota ao afirmar que não há desculpas para a violência”.

“Há sim quando há pessoas a disparar rockets contra si”, disse o analista que fez notar que “esta foi a quarta guerra em Gaza” e depois interrogou:

“Há alguém que queira apostar toda a sua fortuna que não vai haver uma quinta guerra?”

A sua aposta só terá um resultado dado pelo tempo e pelo sucesso ou fracasso das iniciativas americanas.

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