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Antigo vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, investigado pela Procuradoria


Manuel Vicente

A investigação abrange o período em que Vicente era presidente da Sonangol, PGR não reagiu

O antigo vice-presidente de Angola e ex-presidente da petrolífera Sonangol, Manuel Vicente, está a ser alvo de uma investigação patrimonial com vista à recuperação de ativos para o Estado angolano.

O nome de Manuel Vicente surge associado à China Internacional Fund (CIF), empresa chinesa cujos ativos em Angola passaram recentemente para a esfera do Estado e cujos representantes em Angola, os generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” e Leopoldino do Nascimento Fragoso “Dino”, foram indiciados de lavagem de capitais, peculato e burla.

A notícia foi avançada no domingo, 18, pelo jornal português Expresso que diz que “os serviços de investigação da Procuradoria Geral da República (PGR) angolana estimam que a Sonangol terá entregado 2,3 mil milhões de dólares, através de carregamentos de petróleo, ao empresário sino-britânico Sam Pa, o principal rosto do CIF” e que a operação “terá sido sustentada com carregamentos de petróleo, o principal suporte das relações que, de forma nebulosa, envolveram a Sonangol e a Sinopec, petrolífera chinesa trazida para Angola por Sam Pa e parceira da empresa então liderada por Manuel Vicente na exploração do bloco 18”.

A VOA contactou a PGR que prometeu reagir ainda hoje.

Círculo próximo de JES

Manuel Vicente, “Dino” e “Kopelipa” são considerados os principais colaboradores do antigo Presidente José Eduardo dos Santos durante o seu consulado.

Como a VOA noticiou no passado dia 14, os generais “Dino” e “Kopelipa” entregaram ao Estado bens e participações em empresas adquiridos com dinheiros públicos.

Em nota divulgada depois de ambos generais terem sido ouvidos ontem e hoje na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), a Procuradoria Geral da República (PGR) de Angola revelou que, na qualidade de representantes das empresas China International Fund Angola -- CIF e Cochan, S.A., os generais entregaram as acções que detinham na empresa Biocom-Companhia de Bionergia de Angoala, Lda., na rede de Supermercados Kero e na empresa Damer Gráficas-Sociedade Industrial de Artes Gráficas SA.

Entre outros bens devolvidos estão ainda fábricas de cimento, de cerveja e de montagem de automóveis, bem como os equipamentos, máquinas e móveis afectos, e os bens apreendidos pelo Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SENRA) em fevereiro passado.

Da lista dos bens devolvidos, segundo a PGR, constam a centralidade do Kilamba, com um total de 251 edifícios e 837 vivendas, os edifícios CIF Luanda One e CIF Luanda Two.

Processo-crime continua

A nota assinada pelo director do Gabinete de Comunicação e Imprensa da PGR, Álvaro João, esclareceu que todos os bens “passam a integrar, de forma definitiva, a esfera patrimonial do Estado” e que essa a transferência “não obsta o prosseguimento do processo-crime”, em curso contra aqueles generais.

China International Fund

A China International Fund é propriedade quase que total da Dayuan International Development, parte do chamado 88 Quensway Group, sendo 88 Queensway a morada onde estão sediadas as diversas empresas do grupo.

Lo Fong Hung, que foi presidente da CIF, é ou foi também diretora da Sonangol Sinopec International, uma “joint venture” entre as companhias estatais Sinopec da China e Sonangol de Angola.

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