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Angola: Sondagens políticas não agradam a quem não aceita perder, dizem analistas


Uma delegada eleitoral mostra um boletim de voto durante a contagem no fim das eleições gerais em Luanda, Angola. 13 de Agosto 2017

Governo sustenta que sondagens podem ser feitas mas não divulgadas e opõe-se à boca de urna

A proposta do Governo angolano de proíbir a divulgação de sondagens eleitorais durante a campanha eleitoral está a ser muito crificada por analistas políticos.

Para muitos não faz qualquer sentido a proibição e é "um retrocesso no processo democrático".

Proibiçao de sondagens causa debate – 2:10
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A proposta de lei das sondagens e inquéritos de opinião foi analisada pelas comissões especializadas da Assembleia Nacional e vai a votação final na reunião plenária do Parlamento do dia 18.

Apesar de proibir a divulgação das sondagens nos meios de comunicação social, elas podem ser realizadas, segundo anunciou o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem

Ouvido pela VOA, o professor e académico Nuno Álvaro Dala afirma que esta proposta de lei "é um retrocesso porque o que havia como tendência em Angola e para estas eleições de 2022 é que as sondagens à boca das urnas fosse uma realidade mas agora se esta lei passar na Assembleia Nacional vamos retroceder novamente".

Para aquele investigador, as sondagens e inquérito em matéria eleitoral "nunca foram de interesse do grupo hegemónico que detém o poder em Angola".

Jorge Neto, jornalista e que já dirigiu alguns jornais em Angola, entende que as sondagens e inquéritos não aquecem, nem arrefecem a tendência de voto na realidade angolana.

"Não há necessidade, nem se justifica que os partidos receiem as sondagens porque elas, por exemplo na actualidade e neste pleito de 2022, não influenciam o eleitor de uma maneira geral”, afirma Neto para quem “o eleitor já tem direccionado a sua intenção de voto”.

“Só um fenómeno enorme mudaria esta tendência, o que hoje ocorre é apenas um simples exercício de mostra “, acrescenta.

Também ouvido pela VOA, o académico e especialista nesta matéria de sondagens e inquéritos João Lukombo Nzatuzola diz que o poder instituído em Angola em nada lhe interessa estas práticas que revelam uma probabilidade que pode cair para a vitória ou derrota.

"Não lhes convém, a eles só convém o que têm certeza que lhes vai favorecer, não têm essa cultura de sondagens e inquérito que são meras probabilidades cujos os resultados podem ser favoráveis ou não”, sublinha Nzatuzola.

Ele acrescenta ainda que pelo que conhece "na cabeça deles só existe ganhar, ganhar e ganhar, incluindo derrotar o adversário até este não poder mais levantar.

Tony Tamba já participou em matérias eleitorais noutras geografias e pensa que, nesta altura, o país não está preparado para ter sonda-gns eleitorais.

"Para mim por enquanto sondagens e inquéritos eleitorais não são necessários, o que é preciso é preparar as pessoas, sensibilizá-las para que tenham noção do porquê das sondagens”, afirma Tamba que questiona "se as próprias eleições nunca aconteceram de facto, Angola apenas conheceu simulacros eleitorais, como é que já se quer ter sondagens?".

A oposição também se mostra contra a proibição da divulgação das sondagens durante a campanha eleitoral

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