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Angola: Sindicalistas rejeitam aumento do salário mínimo


Notas de kwanzas, Angola

"Aumento é 'miserável, e uma vergonha para o país", diz sindicalista que fala de greve geral.

Sindicalistas angolanos manifestaram a sua irritação com os aumentos do salário mínimo anunciado pelo Presidente João Lourenço que dizem ser totalmente irrelevantes face aos aumentos do custo de vida.

Os sindicalistas ameaçam mesmo com uma paralisação geral.

O Executivo angolano diz que aumentou o salário mínimo nacional na ordem dos 50 por cento e reajustou os salários da Função Pública, ficando de fora~os titulares de cargos políticos e chefias.

Aqueles que auferem 21 mil kwanzas (quase 32 dólares), verão o salário subir para 32 mil kwanzas (40 dólares), a classe dos transportes e afins que ganhava 26 mil kwanzas vai passar para 40 mil kwanza (quase 62 dólares), nos sectores do comércio e indústria extractiva o salário sairá de 32 mil para 48 mil kwanzas (cerca de 75 cinco dólares).

Francisco Jacinto, do central sindical CG-SILA reagiu negativamente ao anuncio dos aumentos.

"Estamos profundamente tristes e até irritados com esta atitude do Executivo de certa arrogância, autoritarismo que nós sindicalistas reputamos de medida eleitoralista e oportunista, reprovamos esta percentagem miserável, estamos a falar de 49 mil kwanzas (equivalente a 50 euros, ou 45 dólares), uma vergonha para o país", disse.

Victor Aguiar, do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Petrolífero e afins diz que problema não foi resolvido.

"O problema não se resolve aumentando o salário, está no controlo da inflação e nós já não estamos na fase das mentiras do governo”, argumentou.

Ele acrescentra que a "medida é uma autêntica mentira, aliás foi o próprio MPLA que prometeu o ano passado baixar o preço da cesta básica, baixou? Não, continua na mesma”.

Centrais sindicais dizem que poderão reunir-se na quinta-feira, 3, para decidir sobre uma eventual paralisação geral, segundo Francisco Jacinto da CG-SILA.

"Ou avançaremos com uma reivindicação geral no país ou o Governo pára com isso, ouve os parceiros e chegamos a um acordo sobre a questão do salário mínimo nacional", alertou.

O economista Damião Cabulo alerta o Executivo para a situação real do problema da economia.

"O que adianta aumentar o salário na ordem dos 50 por cento se os preços estão acima desta percentagem?”, interrogou-se.

“O que o Executivo deve fazer é regular o mercado na perspectiva de dar valor ao poder de compra dos salários de cada indivíduo, e não aumentar nominalmente o salário, é preciso estabilizar os preços”, acrescentou Cabulo.

Por seu lado, o presidente da Associação Industrial Angolana (AIA), José Severino, entende que o impacto desta medida nas família será quase nulo.

“Depois teremos o efeito boomerang da inflação, que pode cair sobre as nossas cabeças", alertou Severino que propos pagamentos semanais dos salários.

"Dava uma gestão mais responsável, mais próxima dos problemas do quotidiano dos cidadãos, o dinheiro passa a ser injectado no mercado com uma dinâmica muito grande", defendeu o homem-forte dos industriais angolanos.

No acto de lançamento da agenda política do MPLA para 2022, na cidade de Menongue, na província de Cuando Cubango, na sexta-feira, 28, o Presidente anunciou a medida, sem dar detalhes, considerando que vai aumentar "os rendimentos mensais dos trabalhadores e respectivas famílias”.

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