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Angola: Roupa em segunda mão não é afectada pelo coronavírus


Mercado de roupa em Benguela

A roupa usada proveniente da Europa e vendida em Angola, o chamado “fardo” não é afectada pelo Coronavírus, garantiu uma organização envolvida nesse comércio.

A organização não governamental norueguesa Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP), que fornece roupa a agentes autorizados, assegura que não existem problemas de saúde.

O responsável do projecto ADPP/Vestuário, Admir Kicapa, que distribui para Benguela, Huíla, Namibe e Cunene disse que “não é possível (o vírus) resistir dentro do contentor durante seis meses”.

“Há um produto dentro para proteger a roupa por causa da água do mar. Mas também temos tudo armazenado já, não estamos a receber navios’’, sublinha o funcionário da ONG.

Há várias décadas que a roupa do fardo, importada basicamente da Europa, hoje o epicentro do covid-19, serve de sustento para milhares de famílias angolanas.

Quem se dedica à venda deste tipo de vestuário, tal como constatou a VOA num dos mercados informais da cidade de Benguela, acredita que o negócio não morra, mas sublinha que não há como ignorar o revés imposto pela doença que agita o mundo.

"As coisas estão assim, assim… As pessoas aparecem pouco, andam com medo’’, dizem duas senhoras, Ana e Rita, ao passo que a colega Joana afirma que ‘’dá para vender um bocadinho’’.

Num outro ponto de venda, a VOA encontrou o jovem Adalberto Mariano, que diz ser cliente assíduo.

‘’Não temo nada porque as roupas são da Europa mas já estão aqui antes do vírus. Se ela (vendedora) abrir um balão que chega agora de lá, claro que não vou comprar. As vendas baixaram por causa da prevenção mas também muitos têm vergonha do fardo. A doença está no contacto pessoal’’, refere o jovem.

O médico Manuel Cabinda, director do Gabinete Provincial de Saúde e membro da Comissão Provincial que trata da prevenção, refere que o Ministério não proíbe o uso do fardo.

‘’Nos seus comunicados, o Ministério da Saúde não faz menção a este assunto. Devemos seguir as comunicações oficiais, onde encontramos aquilo que podemos usar e não usar’’, reafirma o dirigente.

Angola beneficia de isenções aduaneiras na importação de roupa usada, que custa anualmente 65 milhões de dólares norte-americanos, segundo dados oficiais.

Benguela conta com cerca de 40 cidadãos em quarentena, alguns num hotel e outros em regime domiciliar.

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