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Angola: Jornalistas descrevem cenário de auto-censura e controlo da imprensa pelo Estado


Jornalistas protestam contra investigações junto da Procuradoria-Geral da República, Luanda, Angola

“Não há grandes entrevistas, grandes reportagens ou grandes temas que vão fazer parte de um dossier visando trazer revelações sociais que vão trazer melhorias na vida do cidadão", diz investigador

Jornalistas angolanos consideram que os grandes males que impedem um melhor desempenho da imprensa no país são a auto-censura, a falta de agenda própria e o controlo do Estado sobre a maioria dos meios de comunicação social.

O jornalista Jorge Eurico defende a extinção do Ministério da Comunicação Social por entender que a sua existência "impede a qualidade real da imprensa e o seu impacto na sociedade angolana".

Jornalistas angolanos analisam situação dos media – 2:33
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“A imprensa só deverá cumprir cabalmente o seu papel, como se demanda num Estado de Direito e democrático, quando deixar de existir um departamento ministerial que dita as regras de actuação dos órgãos de comunicação social no país, o que os deixa muito dependentes e provoca em si uma auto-censura", afirma aquele profissional.

Jorge Eurico diz igualmente existir no país “ uma censura clara e permanente sobre os órgãos de imprensa públicos e privados que, em sua opinião, não os ajuda em nada a desempenhar o seu objecto social sem estar dependente do poder político”.

Por seu turno, o também jornalista e investigador, Fernando Guelengue, fala das dificuldades de acesso às fontes oficiais e da sobrevivência ou a falência dos órgãos privados como uma das causas do fraco desempenho da imprensa angolana.

Guelengue considera também que “existe uma ausência gritante de agendas próprias nos órgãos levando a que os profissionais trabalhem apenas com base na actualidade”.

“Não há grandes entrevistas, grandes reportagens ou grandes temas que vão fazer parte de um dossier visando trazer revelações sociais que vão trazer melhorias na vida do cidadão e também no aprofundamento da própria democracia”, defende.

Aquele profissional acrescenta que “muitos jornalistas praticam a auto-censura, manchando o seu profissionalismo, e negam-se a fazer denúncias ou comentar assuntos problemáticos por medo do corte de regalias”.

Angola ocupa o lugar 99 no Índice Mundial da Liberdade de Imprensa 2022 divulgado pelos Repórteres Sem Fronteiras, nesta quarta-feira, 3.

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