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Igreja Católica nega ser manipulada por Eduardo dos Santos


Dom José Queiroz, bispo do Huambo (esq.) com o Núncio Apostólico em Angola, Novatus Rugambwa
Dom José Queiroz, bispo do Huambo (esq.) com o Núncio Apostólico em Angola, Novatus Rugambwa

O antigo primeiro ministro de Angola, Marcolino Moco , acusou o presidente Eduardo dos Santos de manipular os bispos para consolidar o seu poder político

O núncio apostólico em Angola, Dom Novatus Rugambwa, negou as acusações segundo as quais os bispos católicos da etnia quimbundo são manipulados pelo presidente da Republica de Angola, José Eduardo dos Santos para impedir a Radio Eclésia ser transmitida em todo território nacional.

De passagem pelo Huambo, Dom Novatus, disse à imprensa, acreditar ser vontade de todos os clérigos a expansão do sinal da emissora católica para todas as províncias.

Aquele líder religioso referiu que o problema da Ecclésia é muito complicado e a sua resolução depende das autoridades angolanas.

“Se a rádio Ecclésia fala sobre reconciliação, sobre a necessidade de se viver segundo a justiça, acho que o governo tem de estar muito contente.”

Em declarações à agencia Lusa, o antigo primeiro ministro de Angola, Marcolino Moco , acusara o Presidente José Eduardo dos Santos de manipular dignitários católicos para consolidar o seu poder político

Segundo Moco, os clérigos quimbundos (região de Luanda e norte de Angola) da Igreja Católica estão a ser manipulados pelo Presidente, que diz: 'se vocês deixarem que a Rádio Eclésia vá para todo o país, depois nós vamos entregar o poder aos nossos inimigos'. O inimigo é a UNITA, são os ovimbundos (etnia do centro-sul de Angola)", disse Marcolino Moco.

Dom Novatus, disse ser um homem da igreja e da fé e acredita que Deus ajudará ultrapassar o problema.

“As acusações e conclusões têm de ser fundadas sobre uma verdade clara”, disse aquele líder religioso, acrescentando que “não vejo a razão deste tipo de afirmação, mas acredito que com o tempo esse problema será resolvido.”

Moco diz ser homem educado pela igreja católica, afirmando que está-se a passar por uma vergonha de aceitar que o Presidente José Eduardo dos Santos impeça a Rádio Ecclésia de ser transmitida em todas as províncias do país enquanto as rádios da sua filha estão a expandir-se pelo país.

Referia-se à Rádio Mais e à TV Zimbo, órgãos que integram o maior grupo editorial angolano, o Media Nova.

Em Angola, as relações entre o governo e as igrejas foram tendo alguns dissabores ao longo da história, à medida que instituições religiosas iam tomando posições pró-democracia em determinadas ocasiões, tal como se deu em 1989, quando a CEAS (Conferencia Episcopal de Angola e São Tomé) reafirmou que o caminho para a paz e reconciliação nacional envolvia reformas democráticas no país.


Na altura o governo de partido único do MPLA acusara a igreja de obstruir os esforços de paz e tomar posições semelhantes à do governo norte-americano e da UNITA que, travava uma guerra civil contra as autoridades governamentais.

Esta posição dos bispos católicos veio cristalizar as mudanças ocorridas na igreja católica depois do seu apoio ao governo colonial.

Desde o ano de 2002, após o cessar-fogo em Angola, foi se assistindo um discurso mais conciliador emanado do governo e devolução de alguns patrimónios da igreja que, tinham sido confiscados pelas autoridades, mais continua a haver ainda denúncias de interferência do partido no poder no seio da igreja católica.

A VOA, o escritor e jornalista Domingos da Cruz criticou às igrejas angolanas pela sua proximidade com o poder denunciando especialmente o relacionamento de destacados prelados católicos com o governo do MPLA.

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