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Angola Fala Só - Alexandre Kuanga Nsito: “Cabinda já não é terra para se viver"


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"Em termos políticos Padre Congo cometeu traição" diz outro activista, Arão Tempo

16 Fevereiro 2018 AFS Alexandre Nsito: "Se fossem sérios teriam encontros com pessoas críticas"
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Não há nenhuma mudança na actuação do governo angolano em Cabinda, afirma o activista do enclave Alexandre Kuanga Nsito.

Kuanda Nsito, coordenador da Associação Cultural e de Desenvolvimento e dos Direitos humanos de Cabinda, foi o convidado do programa “Angola Fala Só” onde a situação em Cabinda foi o principal tópico mas onde a governação de João Lourenço foi também abordada.

Kuanda Nsito notou que o governo tinha proibido e reprimido uma marcha organizada pela sua organização acrescentando que alguns dos participantes foram “torturados”.

Para o activista as autoridades não querem manter o diálogo com os críticos.

“Se fossem sérios teriam encontros com pessoas críticas”, disse acrescentando: “Mas isso não acontece porque têm medo”.

O activista descreveu a deterioração da situação social e económica de Cabinda afirmando que se regista um êxodo de jovens do território para outros países.

“Cabinda já não é terra para se viver", afirmou, queixando-se depois de discriminação das autoridades angolanas contra os cabindas.

“Há descriminação em todas as vertentes”, afirmou acrescentando: “Somos perseguidos”.

Alexandre Kuanga Nsito foi também interrogado sobre o novo presidente João Lourenço que, segundo disse, deu inicialmente “sinais de abertura”.

Contudo, disse, as exonerações feitas pelo presidente não podem ser vistas como algo de novo.

“O Eduardo dos Santos também fez exonerações”, mas “até agora ninguém foi responsabilizado” por corrupção.

O activista defendeu acerrimamente o direito do povo de Cabinda á auto determinação mas frisou a necessidade de uma luta pacífica através de marchas e greves.

O futuro estatuto político do território deveria ser discutido em conversações com base no principio de autodeterminação, defenderia ainda Kuanda Nsito.

Arão Tempo considera adesão do Padre Congo ao governo de “traição”

No programa um outro conhecido activista de Cabinda, o advogado Arão Tempo, comentou a inclusão do Padre Casemiro Congo no governo provincial como secretário de educação. Decisão que apanhou muitos de surpresa causando alguma indignação.

Recordando que o Padre Congo tinha sido sempre alguém que se bateu pela auto determinação do povo de Cabinda, a sua nomeação “deixa muito a desejar”.

“Em termos políticos não passaria de uma traição para o povo de Cabinda”, disse.

Arão Tempo rejeitou a ideia que a inclusão do Padre Congo seja uma tentativa de alargar o dialogo aos críticos do governo angolano.

“O Padre Congo não representa sozinho os ideais do povo de Cabinda”, disse afirmando que a solução é convidar os movimentos que lutam pela autonomia para a mesa de negociações.

“O comportamento do Senhor Laborinho (o governador) não passa mais de estar a aliciar os tenores do povo de Cabinda para acomodá-los e reforçar o próprio sistema político do MPLA”, disse.

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