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Angola Fala Só - Pio Wacussanga: "Nas autárquicas, o Governo pôs a carroça à frente dos bois"


Padre Pio Wacussanga

"As minhas expectativas estão a diminuir e aumentam os receios".

20 de Jul 2018 AFS - Pio Wacussanga: "Nas autárquicas, o Governo pôs a carroça à frente dos bois"
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O Governo angolano deveria ter efectuado consultas com as comunidades antes de propor uma lei sobre as eleições autárquicas, disse o Padre Pio Wacussanga da Associação Construindo Comunidades.

Falando no programa Angola Fala Só, o Padre Wacussanga disse que o Governo deveria em primeiro lugar “ouvir os angolanos” através de contactos directos, das suas associações, igrejas e líderes tradicionais antes de propor qualquer lei.

“O que o Governo fez foi colocar a carroça à frente dos bois”, afirmou.

Pio Wacussanga disse que muitos angolanos e organizações, como a Igreja Católica, rejeitam a proposta do Governo de “gradualismo geográfico” afirmando que isso visa na verdade manter o controlo do poder.

“É o centralismo administrativo disfarçado de autarquia”, disse.

Interrogado sobre se tinha mudado a sua opinião sobre a governação de João Lourenço desde Dezembro quando disse acreditar que o novo Presidente queria fazer uma diferença, Wacussanga disse que muitas das suas expectativas “infelizmente não se concretizaram”.

“Do ponto de vista político, a única coisa que ocorreu foi a mudança de cadeiras com um novo Presidente, com um novo vigor, uma nova visão”, disse admitindo contudo que “uma alternância sempre faz bem”.

“Contudo as mudanças estruturantes do ponto de vista político não aconteceram e nem se desenha uma boa perspectiva para elas”, acrescentou, afirmando ainda que a nível económico “ o poder de compra das comunidades de base reduziu-se imenso, e isto tem repercussões do ponto de vista social”.

“As minhas expectativas estão a diminuir e aumentam os receios”, acrescentou.

Contudo o Padre Pio Wacussunga diz ter-se registado “uma ligeira abertura do espaço público”.

A perseguição, disse, “diminuiu bastante” fazendo notar ainda a ocorrência de mais manifestações sem interferência das autoridades, o que não ocorria anteriormente.

“Mas mesmo assim falta um grande trabalho na expansão das liberdades”, acrescentou o Padre Pio Wacussanga para quem o Governo precisa de ser mais transparente.

“O Presidente João Lourenço está envolvido numa cruzada contra a corrupção, mas ainda assim o seu trabalho tem pontos escuros”, afirmou acrescentando que a lei de repatriamento de capitais “ao invés de se tornar um processo transparente ainda está revestido de muita opacidade”.

Um ouvinte quis saber se Angola pode ser considerado um “estado falhado” ao que o Padre Pio Wacussanga disse acreditar que “Angola tem margem de recuperação”.

“Temos muitas dúvidas que os problemas se possam resolver a curto ou médio prazo”, disse afirmando isto muitas vezes.

“Mas Angola tem todo o potencial, tem quadros e recursos”, notou.

O Padre Wacussanga revelou que a arquidiocese do Lubango está envolvida num plano para criar uma escola comunitária regional para a Huíla, Namibe e Cunene para formar quadros com capacidade para serem líderes capazes de “maximizarem a questão da resiliência e também do aumento da prática produtiva feita de forma racional olhando para os desafios ecológicos”.

No programa o Padre Pio Wakussanga abordou as mais diversas questões entre as quais a situação em Cabinda que ele afirmou não poderá ser resolvida pela via militar.

“É preciso haver um diálogo sincero e aberto com todos os actores envolvidos sem exclusões”, afirmou.

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