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Angola Fala Só - Mateus Muaza: "Somos mortos em pé"


Mateus Muaza, secretário da comissão sindical da Empresa Nacional de Pontes
11 Maio AFS Mateus Muaza: "Somos mortos em pé"
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Os trabalhadores da Empresa Nacional de Pontes que se encontram sem salários há 55 meses planeiam realizar em breve uma marcha de protesto, revelou o secretário da comissão sindical da empresa Mateus Muaza.

A marcha iniciar-se-á na sede da empresa até ao ministério da tutela, disse o sindicalista.

Muaza falava no programa “Angola Fala Só” onde descreveu a situação dramática dos 427 trabalhadores sem salários.

A situação agravou-se porque ainda hoje 82 trabalhadores incluindo os membros da comissão sindical foram suspensos por seis meses algo que o sindicalista disse ser uma óbvia tentativa de os despedir permanentemente.

Segundo o sindicalista a empresa quer entrar em parceira com uma empresa chinesa que contudo exige uma redução da força laboral.

Muaza disse que os trabalhadores têm que se apresentar ao trabalho todos os dias caso contrário podem ser despedidos por faltarem, mas não há trabalho a fazer.

Aqueles que têm família dependem das vendas ambulantes das suas mulheres para a família sobreviver, não havendo meios para educar os filhos ou garantir refeições.

“ “É uma situação gravíssima e desumana”, disse o sindicalista que sublinhou que devido à falta de salários e de não poderem mandar os filhos para a escola “ estamos criar bandidos, marginais e analfabetos”.

“Somos pessoas mortas em pé, que só andamos com o vento, porque se não houver vento não andamos”, afirmou.

O sindicalista disse que desde o início da crise 10 trabalhadores tinham morrido por não terem os meios para se tratarem, e neste momento há outros 14 trabalhadores doentes.

Vários ouvintes entraram em contacto com o programa para manifestarem solidariedade com os trabalhadores e para assinalarem situações semelhantes através do país.

Interrogado sobre se havia uma nova atitude da entidade patronal desde que João Lourenço assumiu a presidência, o sindicalista afirmou que “nada mudou”.

“Há apenas promessas mas não se vive de promessas”, disse Mateus Muaza para quem “na prática nada mudou”.

No programa vários ouvintes abordaram a decisão de um tribunal português de enviar para Angola o caso de alegada corrupção do antigo vice'presidente Manuel Vicente.

Para o sindicalista o caso de Manuel Vicente é o exemplo do “nepotismo e corrupção” que se vive em Angola, mas acrescentou que tendo o país leis contra a corrupção essas leis devem ser usadas para “punir os responsáveis”.

Instado por um ouvinte a comentar alegada discriminação do Estado contra trabalhadores que não são do MPLA, Mateus Muaza disse que a afiliação partidária “ não é algo com que o Governo se deva preocupar”.

“O Governo deve apenas tratar de resolver os problemas de todos os angolanos”, afirmou.

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