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Angola Fala Só - Faustino Mumbica: "A cidadania foi subtraída aos angolanos"


Faustino Mumbica, economista e professor universitário
7 Jn 2019 AFS Faustino Mumbica: "A cidadania foi subtraída aos angolanos"
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A situação económica dos angolanos vai deteriorar- se antes do poder começar a melhorar, disse o economista Faustino Mumbica.

Falando no programa “Angola Fala Só”, o economista disse que para este ano “já nada há a fazer”, acrescentando que com a revisão do orçamento que resultou em reduções as perspectivas pioraram.

Com o país a necessitar de infraestruturas, nesta altura “não se vislumbra, não se vê nada de concreto para viabilizar o pouco da produção que não consegue chegar aos mercados de consumo”, afirmou

Para Mumbica não há duvidas que a redução do orçamento resultará, de imediato, “no agravamento da vida dos pequenos produtores no plano agrícola” e também nos pequenos empresários.

O economista abordou o impacto da entrada em vigor do Imposto do Valor Acrescentado, afirmando que isso poderá também ter um impacto negativo para esses pequenos empresários.

A este respeito Mumbica manifestou grande cepticismo sobre a capacidade do governo administrar o sistema devido “à desorganização” da administração governamental.

O governo “nem sequer conhece as ruas onde estão os contribuintes e nem sequer sabe o número de contribuintes”.

Para ele, há o perigo do IVA “caír em bolsos alheios”.

O economista sublinhou, por várias vezes, ao longo do programa a necessidade de fiscalização e controlo dos investimentos feitos, afirmando que para além de preços de empreitadas serem inflacionados pela corrupção a taxa de finalização desses projectos é de apenas “30 a 40%”.

Além disso, muitos dos projectos que são finalizados são marcados pela má qualidade devido à falta de fiscalização.

Faustino Mumbica defendeu a criação de um tribunal de Finanças já que o Tribunal de Contas não se mostra suficiente para lidar com essa questão.

Falando sobre a dívida pública de Angola, Mumbica disse que “o debate é cada vez mais necessário”, sublinhando que embora o governo diga que quer acabar com a corrupção “oferece resistência a tudo quanto seja o esclarecimento da dívida”, desculpando-se com “ingerência nos assuntos internos”.

O professor universitário afirmou ainda ser necessário acabar-se com “a cultura do partido/estado” e incentivar-se o debate com a participação dos angolanos.

“A cidadania foi subtraída aos cidadãos”, afirmou.

Mumbica abordou as assimetrias em regiões como Cabinda e as Lundas, que mais riqueza produzem, mas que se encontram na pobreza, e defendeu a descentralização como meio para se acabar com as diferenças.

Contudo avisou que não se pode descentralizar com o actual sistema que levaria apenas a que este fosse transportado para os poderes locais.

Interrogado sobre recentes empréstimo do Fundo Monetário Internacional, Faustino Mumbika defendeu que se devem encontrar meios para que os empréstimos “não passem necessariamente pelas mãos do executivo”.

É necessário “que se identifiquem novos actores” para beneficiarem dos empréstimos, afirmou.

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