Links de Acesso

Angola Fala Só - Eduardo Alberto: "Se há má qualidade no ensino o Estado é culpado"


Angola Fala Só - logo 2016

Sindicalista diz não haver dinheiro para investigações, mas vê que há mudanças com o novo Governo

12 Out 2018 AFS Eduardo Alberto: "Se há má qualidade no ensino o Estado é culpado"
please wait

No media source currently available

0:00 0:59:59 0:00

O Ensino Superior em Angola não está bem, não tem dinheiro para investigações e a corrupção também é uma realidade.

A descrição desse quadro foi feita por Eduardo Peres Alberto, secretário-geral do Sindicato de Professores do Ensino Universitário (Sinpes), para quem “se a qualidade de ensino não é boa a culpa é do Estado”.

Ao participar no "Angola Fala Só" como convidado, Alberto, no entanto, acredita que as coisas estão a mudar porque “há uma nova abertura do Presidente angolano” que chegou a servir de intermediário entre o Ministério do Ensino Superior e o sindicato no caso da actualização do diploma que abriu caminho à avaliação e promoção dos professores, que entra em vigor em Janeiro.

“O Presidente João Lourenço está a mudar a demagogia em democracia”, afirmou aquele professor que durante uma hora abordou várias questões colocadas pelos internautas.

Eduardo Peres Alberto lembrou que já houve acordos com o Ministério do Ensino Superior para a entrada em vigor de aumentos salariais em Setembro e realçou a decisão do Governo de, a partir de Maio de 2019, os reitores serem eleitos, “o que é uma luta que o sindicato tem feito há muitos anos”.

O secretário-geral do Sinpes considerou que os salários pagos aos professores em Angola são “miseráveis”, e lembrou que os catedráticos ganham cerca de dois mil dólares mensais, enquanto os assistentes recebem cerca de mil e 100 e os novos docentes menos de mil dólares.

Com estes salários, disse Eduardo Peres Alberto, “as famílias sofrem e a qualidade da educação também”, dando exemplos de países africanos onde os salários são superiores a 5 mil ou até 10 mil dólares.

Questionado por um internauta sobre qualidade do ensino, o que leva muitas empresas a recorreram a estrangeiros, por considerarem que os formados não está à altura das necessidades, Alberto reconheceu as dificuldades existentes “principalmente por falta de verba para investigação, o que é uma responsabilidade do Estado”, mas também criticou as empresas.

“As empresas não comparticipam nas universidades, não investem na investigação universitária e sem dinheiro é impossível fazer investigações”, defendeu aquele professor que desafiou as empresas a “procurarem as instituições para aferirem da qualidade da formação”.

Eduardo Peres Alberto disse haver dinheiro para o ensino geral no Orçamento Geral do Estado, mas que “não vê nenhum rubrica para investigação e extensão universitária”, facto que, para ele, impede que as universidades cumpram grande parte do seu papel.

“Será que o professor tem de financiar investigações, laboratórios e bibliotecas?”, perguntou Alberto, em resposta a internautas e ouvintes.

O sindicalista criticou a entrada de professores através de “afinidades e jogos políticos”, defendeu o afastamento de docentes que se deixam corromper e reconheceu haver “estudantes que são irresponsáveis e que não vão para as universidades com a noção do que vão lá fazer”.

Em tempos de “esperança”, Eduardo Peres Alberto reconhece a “seriedade” do Sinprof, reitera a defesa dos professores e do ensino e vê “alguma luz no fundo do túnel” com a nova postura do Governo.

Ouça o programa, onde vários outros temas relacionados com o ensino e educação.

Fórum Facebook

XS
SM
MD
LG