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Angola Fala Só - Dr. Adriano Manuel: Existem clínicas privadas "construídas com dinheiro do povo"


Adriano Manuel, presidente do Sindicato Nacional dos Médicos

Médicos entram em greve na segunda-feira em todo o país

16 Nov 2018 AFS Adriano Manuel: Existem clínicas privadas "construídas com dinheiro do povo"
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Os médicos angolanos vão entrar em greve de três dias na segunda-feira, 19, confirmou o Adriano Manuel, presidente do Sindicato Nacional dos Médicos.

Ao participar no programa “Angola Fala Só”, aquele médico fez, no entanto, notar que os serviços essenciais, como os serviços de urgência funcionarão e, neste caso, provavelmente serão reforçados para fazer face a um aumento de pacientes.

O sindicalista disse que a organização tinha entregue um caderno reivindicativo no passado dia 6 de Agosto e que uma resposta só foi recebida depois do Fórum dos Médicos ter decidido partir para a greve.

O primeiro encontro teve lugar na quarta-feira, 14, mas as respostas às suas reivindicações só foram recebidas 19 horas antes do início desse primeiro contacto, o que eu significou que alguns dos sindicalistas só viram as respostas “à porta do Ministério da Saúde”.

“Não estavam criadas as condições para o começo das negociações e as respostas não satifaziam algumas das questões”, acrescentou, frisando que as negociações deverão agora começar na próxima semana.

Adriano Manuel elaborou uma série de reivindicações dos médicos, a começar pela integração dos 3.500 médicos que se encontram no desemprego.

“Angola precisa de ter de 29.000 a 30.000 médicos e não se justifica termos médicos no desemprego”, disse.

Outros dos pontos principais nas reivindicações dizem respeito ao fornecimento de material de trabalho e aos subsídios para os médicos que trabalham em zonas remotas que, segundo disse, em muitos casos vivem em casas sem luz e sem água.

Interrogado por um ouvinte sobre a falta de “humanização” no atendimento de doentes por parte de alguns médicos, o médico Adriano Manuel lembrou que há situações em que médicos atendem entre 150 e 200 pacientes por dia.

“Só isso por si já influencia negativamente a existência de um trabalho mais humanizado”, disse, com a agravante da falta de condições e de material para tratar os doentes.

“Não é possível a um médico abordar (um doente) com a humanização que se quer quando nem sequer temos material para trabalhar”, acrescentou, sublinhando a falta de seringas, luvas e medicamentos.

Para o presidente do Sindicato Nacional dos Médicos, “não se pode exigir tratamento humanizado quando não se dá condições aos médicos para isso”.

“Somos tratados de forma desumana”, acusou Manuel, garantindo que o sindicato tenciona lutar para que as condições melhorem “e assim melhorarmos também a nossa abordagem aos doentes”.

Adriano Manuel sublinhou que a prioridade na saúde deve ser dada aos cuidados primários e de prevenção.

“Em Angola temos um sistema de saúde primária muito debilitado”, assugurou e advertiu que "enquanto o Governo não investir na saúde primária e muito dinheiro na saúde curativa, vamos ter dificuldades em melhorar a situação da saúde actual”.

Ele acrescentou que dpenças infecciosas como tétano e pólio continuam a existir por falta de prevenção.

Interrogado sobre a crescente existência de hospitais privados, Adriano Manuel disse que a resposta passa pela melhoria das condições de trabalho nos hospitais púbicos.

“Existem clinicas privadas que foram construídas com dinheiro do povo, com o erário publico para servirem uma determinada elite”, acusou o médico..

“Estamos preocupados com isso porque enquanto isso existir, vamos ter dificuldades em melhorar as condições de trabalho nas instituições públicas”, lembrou afirmando ainda que as reivindicações visam precisamente criar condições para que os hospitais públicos possam “ombrear” com as clinicas privadas.

Interrogado por um ouvinte sobre médicos do estrangeiro que têm dificuldades em ter as suas credenciais reconhecidas, Manuel afirmou que o sindicato abordou a questão junto do Ministério da Saúde e da Ordem dos Médicos, sem resposta, e que o assunto está no caderno de encargos.

Ante à pergunta de um ouvinte sobre a governação de João Lourenço, Adriano Manuel mostrou-se optimista.

“Quero acreditar que muito vai mudar”, disse, concluindo que "temos um Presidente pró-diálogo com uma nova mentalidade” e "há agora mais abertura”.

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