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Angola Fala Só - Nelson Domingos: "É urgente despartidarizar o país"


Nelson Domingos, cientista político, analisa congresso e desafios do MPLA
14 Jun 2019 AFS - Nelson Domingos: "É urgente despartidarizar o país"
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O congresso extraordinário do MPLA,que se realizam neste fim-de-semana, poderá resultar numa intensificação da luta entre duas facções dentro do partido e servir também para criar uma maior base de apoio dentro do Comité Central (CC) ao Presidente João Lourenço, disse o professor de Ciências Políticas Nelson Domingos.

Ao participar no programa “Angola Fala Só”, Domingos disse que no Comité Central há muito que se opõe às reformas que o Presidente angolano quer instituir no país.

No CC, disse, continuam “muitos dos chamados marimbondos que nem sempre estão em sintonia com o Presidente” e esses “não querem reformar-se para não perder espaço”.

Daí o alarmento do órgão de 363 para 497 membros.

“É importante que o Presidente tenha apoio para os seus projectos, caso contrário continuará a ter dificuldades para continuar a governar”, acrescentou, fazendo ainda notar que 82 dos novos membros têm idade inferior a 47 anos, sendo portanto de uma nova geração.

Muitos dos novos quadros que vão entrar para o Comité Central são conhecidos por “boa retórica”, mas Nelson Domingos avisou que isso não significa necessariamente que estejam habilitados a serem bons governantes.

Por outro lado, opinou que o congresso não vai levar à estabilidade dentro do MPLA abrindo portas à “coabitação de dois campos e pontos de vista”.

“Até ao próximo congresso (quando o mandato de actuais membros terminar) haverá um campo de batalha a coberto e a descoberto”, afirmou

Interrogado sobre a situação económica do país, aquele analista afirmou que a equipa económica de João Lourenço “é uma continuidade” da anterior que está a “tentar estabilizar a economia sob orientação do FMI”.

Nelson Domingos manifestou contudo dúvidas quanto a certas receitas do FMI como o corte dos subsídios, aumento dos impostas, dos combustíveis e da energia.

Ele afirmou também que na sua opinião “não há um projecto claro” para incentivar a agricultura local como meio de reduzir a importação de produtos básicos que Angola pode produzir.

Quanto ao combate à corrupção, Domingos considerou que isso continuar a ser feito “de forma selectiva”, com muitos que usaram dinheiro públicos para se enriquecerem a continuar a exercer cargos.

“Isso desacredita o combate à corrupção”, afirmou aquele cientista, para quem Angola ainda não é um estado democrático.

“O país está ainda num processo de transição”, sublinhou, afirmando que devido ao modo como foi negociada essa transição existe a continuidade dos antigos dirigentes no poder.

“A mudança é lenta”, afirmou, lembrando que o grande desafio de João Lourenço é alargar o Governo para fora do MPLA.

“É importante ter quadros de forma do partido, é urgente despartidarizar o país”, concluiu.

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