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Angola: Exclusão de grupos étnicos ofusca políticas para emancipação da mulher


Criticas apotem dedo ao Governo e partidos políticos

A história da democracia em Angola mostra um aumento da presença feminina nas diferentes estruturas do Governo e na Assembleia Nacional, mas insuficiente para os desafios da emancipação da mulher, devido sobretudo à exclusão das minorias étnicas, sem acesso à escola.

Angola: Exclusão de grupos étnicos ofusca políticas para emancipação da mulher
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Esta opinião, a propósito do Dia Internacional da Mulher, pertence à activista Alexandra Simeão, que junta ao rol de críticas a apatia do Estado face ao abandono das ‘’mamãs’’ no meio rural, a fonte de produção de alimentos para o país.

A presidente da associação cívica Handeka é uma mulher magoada quando analisa a nula participação na vida pública de franjas minoritárias que procuram manter a originalidade cultural no seu dia-a-dia.

‘’Fomos escolher um nome Nganguela porque ninguém fala desta tribo. Temos os Khoisan, as Mumuílas. Estamos a perder um património brutal, estas mulheres são fantásticas, são um exemplo. Elas têm direitos, para os quais o Estado deve agir. Eu nunca vi, por exemplo, nenhum partido pegar numa Mumuíla, não a que foi tirar um curso superior, e colocá-la no Parlamento. Por quê’’, questiona a activista.

Numa Angola a falar como nunca da produção interna, tentando substituir a importação de alimentos, Alexandra Simeão lamenta que a mulher rural, que é o garante da agricultura familiar, esteja votada ao abandono.

‘’Tivemos o programa de combate à pobreza e valorização da mulher rural, mas o que aconteceu? Nada, ela está no mesmo sítio, desvalorizadíssima. O Estado nem sequer consegue fazer uma creche em cada comuna, um local onde a mulher possa deixar o seu filho. Existiram iniciativas políticas por causa das quotas no Parlamento ou no Governo, é tudo muito bonito na fotografia, mas isso não é a verdadeira emancipação, não é nacional’’, avança Simeão

Uma das principais dificuldades no meio rural, segundo a presidente da Associação da Mulher Empreendedora de Benguela, Teresa Borges, reside na distribuição dos produtos.

‘’A maior parte da força trabalhadora é formada por mulheres. Os seus produtos acabam por estragar, não têm como escoar do campo para as cidades’’, salienta Borges.

E como igualdade e género fazem-se com homens e mulheres, a VOA foi ao encontro de um consultor social, Misselo da Silva, para obter luzes sobre o futuro na perspectiva da emancipação da mulher em Angola

‘’Tem havido, de forma tímida, encontros promovidos pela Adra, nos quais as mulheres participam com ideias. Penso que precisamos de mais espaços comunitários, só assim a mulher rural poderá abordar abertamente os problemas que identifica e arranjar soluções’’, sugere o director executivo da Organização Humanitária Internacional (OHI).

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