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Angola: Agricultores dizem estar em situação desesperada


Agricultores angolanos avisaram que estão em situação extremamente precária que poderá levar a quebras de produção agrícola com consequências nefastas para as cidades e população em geral.

Esses agricultores afirmam que a realidade ‘e bem pior do que se diz e acusam dirigentes bancários e governamentais de estarem totalmente desligados da realidade.

Carlos Ferreira é fazendeiro dos arredores de Luanda e considera que é necessário que se olhe para os indivíduos que garantem o sustento de produtos do campo para o país.

O agricultor explica se não houver esse input e de forma urgente vai ser difícil a sobrevivência.

"O BNA parece que finalmente percebeu que se deixar os agricultores à mercê dos bancos comerciais nós 'estamos feitos ao bife', não temos qualquer hipótese de sobrevivência”, disse.

“Esses indivíduos - a maior parte deles - saem directamente dos bancos das escolas para os centros de decisão e não lhes passa minimamente pela cabeça o que é estar no campo, o que significa produzir, as dificuldades que enfrentamos".

Ferreira disse que "a maior parte das informações que vêm a público sobre os agricultores são completamente diferentes da situação real do dia a dia dos homens que andam na estrada a transportar os produtos ainda são sujeitos à 'lavra do polícia' que apesar das melhorias continuam a cobrar"

Paulo Neves, outro agricultor, disse que está prestes a desistir da agricultura devido às enormes dificuldades que enfrenta.

"As dificuldades são imensas, eu não sei como é que os agricultores vão conseguir sobreviver a essa crise” disse.

O agricultor fez notar que devido à falta de produção interna “ tudo que usamos é dólar”.

“Avaria-te uma peça do trator é dólar, semente é dólar, tudo é dólar” afirmou.

“Nós não temos quase nenhuma produção nacional, como é que se vai fazer agricultura assim a pagar um saco de adubo a vinte e tal mil kwanzas?”, acrescentou fazendo notar ainda que “a população não tem poder de compra nenhum”.

“Isto está muito difícil", acrescentou Neves que se queixou também da “carga fiscal é bastante pesada: quase que trabalhamos para pagar impostos”.

Para este agricultor é duro ver os impostos a serem usados “às três pancadas” para“ comprarem condomínios, alugar carros, casas que o Estado vende a 11 milhões e depois vai pagar a sessenta milhões”.

“Não há nenhum país que sobrevive a isto, e a tendência é para piorar as coisas - “as empresas vão continuar a fechar”, alertou.

“Não há ajuda do governo, dizem que não pagas o imposto agora, pagas daqui a dois meses mas vou pagar na mesma", acrescentou

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