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Analistas advertem que ataque a Mocímboa da Praia é um desafio ao Estado


Mocímboa da Praia

O ataque à sede distrital de Mocímboa da Praia, na província moçambicana de Cabo Delgado, continua a suscitar diversas reações, com alguns analistas a considerarem que o mesmo sugere uma demonstração de força por parte dos insurgentes, questionando-se porque é que o Estado moçambicano não pede apoio à comunidade internacional.

O ataque, seguido de uma ocupação, foi o primeiro a uma sede distrital, o que para o diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, significa que "estamos numa situação claríssima em que o Estado parece estar a perder capacidade em relação aos insurgentes, que até ao momento, não se sabe quem são".

Nuvunga afirma ser "estranha a forma como o Estado moçambicano está a abordar a questão da insurgência em Cabo Delgado porque nós temos vindo a apelar para que coloque este assunto à região, através da Comunidade para o Desenvovimento da África Austral (SADC).

"Não temos visto o Estado a movimentar-se nesse sentido e não sabemos porquê, e a indicação que temos é que os atacantes ainda estão na vila, salvo uma informação em contrário", destaca Adriano Nuvunga.

Para o diretor do CDD, "não parece adequado que o Estado moçambicano permaneça no silêncio perante uma situação em que as pessoas estão deslocadas internamente e, aprentemente, sem apoio adequado, porque é uma situação de terror que lá se está a viver".

Ajuda internacional

Por seu turno, o sociólogo Francisco Matsinhe considera que os insurgentes, ao atacarem a sede distrital de Mocímboa da Praia, "pretendem dar a entender que não temem as Forças de Defesa e Segurança, tanto mais que o ataque ocorreu poucos dias de o Chefe de Estado, Filipe Nyusi, ter estado na região, para moralizar as forças de defesa e segurança".

Natsinhe realça que "o Estado deve mudar a forma como aborda este problema porque há o risco de os insurgentes atacarem também a província de Nampula, cuja população é maioritariamente muçulmana. Penso que o Governo moçambicano deve pedir, formalmente, ajuda à União Africana".

"Este ataque foi reportado por causa da dimensão que teve, mas há muitas outras situações envolvendo insurgentes que não têm sido divulgadas", sublinha o jornalista Alexandre Chiure, afirmando ainda não saber porque é que o Estado não pede apoio à comunidade internacional.

À pergunta qual pode ser a saída para a questão da insurgência no norte de Cabo Delgado, o economista João Mosca responde que primeiro é preciso saber qual é a origem, quais são as motivações, quem são os financiadores, que tipo de relações internas e externas existem.

"Estas questões têm que ser devidamente clarificadas", considera aquele economista, para quem a solução militar não deve ser a única porque há outros fatores que estão na origem da instabilidade na região, incluindo a pobreza.

Os ataques a distritos do norte de Cabo Delgado começaram em 2017 e terão provocado até agora a morte de pelo menos 350 pessoas, de acordo com relatos da imprensa.

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