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Ambientalista critica construção em parque natural da Guiné-Bissau

  • Lassana Casamá

António Indjai, Foi Nomeado Chefe de Estado-maior Das Forças Armadas da Guine-Bissau

Central termoelétrica será construída por uma empresa indiana no Parque Natural de Cufada.

A maior reserva de água doce na Guiné-Bissau, situada no Parque Natural de Cufada, no sul do país, está sob forte ameaça, em consequência da instalação de uma central termoelétrica, por parte de uma empresa indiana.

O assunto tem gerado muita polémica nas últimas semanas, envolvendo actores ligados à conservação das reservas de biodiversidade, população local e o Executivo.

O ministro da Energia, Florentino Mendes Pereira, deslocou-se ao local no fim-de-semana e defendeu a continuação das obras.

Em entrevista à VOA, o secretário executivo da organização não governamental Tinguena, uma das entidades especializada na conservação do meio ambiente, Miguel de Barros, considera que a instalação da aludida central elétrica no perímetro do parque terá consequências imediatas:

“A construção desta central iria inviabilizar o acesso das pessoas à água potável,vai pôr em causa o lençol freático, a própria utilização de água para a produção alimentar, a água que os animais têm acesso e, sobretudo, vai provocar a deslocação das próprias comunidades”, explicou Barros que classificou de “ridículo” o facto de existirem propostas alternativas que não são tidas em conta.

“A Autoridade de avaliação do impacto ambiental recomentou, aliás, a deslocação da estrutura para outra localidade”, refere o nosso entrevistado, para quem, de acordo com as recomendações da Célula de Avaliação do Impacto Ambiental, a “produção de energia termoeléctrica pode ser substituída pela produção fotovoltaica”, revelou Barros.

Em face desta realidade, o secretário executivo da Tiniguena não entende a “insistência” da empresa produtora da energia e das actuais instituições públicas, em manter a central dentro do perímetro do parque.

Para Miguel de Barros “a corrupção associada a alguma indústria de madeira, de modo com que se possa também ir dentro, dessa zona para buscar as essenciais mais procuradas neste momento a nível internacional”, justifica essa decisão.

Aquele ambientalista diz desafiar “as entidades associadas a este processo que demostrem qual é o conhecimento e a experiência que têm na matéria de produção de energia nestas condições, que tipo de experiência é que já desenvolveram que comprovam que têm a capacidade para tal, se têm a capacidade para tal, se o projecto é viável e por que o projecto não é público?”.

Manuel Barros questiona ainda o facto de não se ter um estudo de impacto ambiente e ameaçaavançar com uma uma providencia cautelar de modo a estancar a obra.

“Se o Tribunal nos der a razão, vamos entrar com uma acção principal, criminalizando o Estado e responsabilizando o Estado por aquilo que tem sido o seu comportamento relativamente à intervenção no espaço público, sobretudo em espaços conservados como zonas protegidas, que o próprio Estado assumiu compromisso nacional e internacional para proteger, devido à importância que têm na vida das a comunidades a nível mundial”, concluiu o secretário executivo da Tiniguena.

No terreno, entretanto, as opiniões divergem-se.

Uns defendem a instalação da central no parque e outros habitantes advogam a necessidade de conservar o espaço, enquanto valor natural à disposição para muitos anos.

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