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Advogado diz ter sido humilhado pela polícia ao tentar contactar manifestantes que estão hoje em julgamento


Tribunal distrital de Luanda, Dona Ana Joaquina. Angola, 11 de Fevereiro 2022

Eles pretenderam manifestar-se no sábado contra a contratação da empresa Indra para gerir processo de votação e para pedir libertação de activistas na Lunda Norte

O Tribunal da Comarca de Luanda retomou nesta terça-feira,12, o julgamento sumário de 22 dos 26 jovens manifestantes, entre os quais três senhoras, presos no último fim de semana pela polícia sob acusação "de realização de motim e desobediência à ordem de dispersão".

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Advogado denuncia humilhação por parte da polícia e Bloco Democrático responsabiliza "regime autoritário de João Lourenço" pela detenção dos manifestantes.

O julgamento iniciou na noite de segunda-feira, 11, tendo o tribunal ouvido já quatro dos acusados.

A informação foi dada à VOA pelo advogado Simão Afonso, um dos três membros da defesa, quem revelou que quatro dos detidos ainda não foram constituídos arguidos.

O causídico denunciou, entretanto, que nos dois dias em que os acusados estiveram sob custódia da polícia ele foi várias vezes humilhado, ignorado e ameaçado por agentes da corporação e impedido de contactar os seus constituintes, tendo mesmo sido advertido que podia ser detido em caso de insistência.

“Dirigi-me à cadeia para saber da condição carcerária e de saúde dos detidos e fui claramente impedido e pediram que eu me retirasse da esquadra sob pena da minha detenção”, denuncia Afonso, quem acrescentou que no começo do julgamento houve, igualmente, uma “resistência” para que a defesa dos réus fosse aceite.

BD responsabiliza "regime autoritário" e pede libertação dos presos

Entretanto, o Bloco Democrático (BD) fez sair uma nota de imprensa na segunda-feira na qual“deplora e repudia veementemente” as prisões de dezenas de activistas, entre os quais o seu membro da Comissão Política, Secretário Nacional da Juventude e do Conselho Nacional, Adilson Manuel.

Na nota, o BD refere que os manifestantes “foram mantidos em condições deploráveis nas masmorras da Esquadra Farol das Lagostas, Bairro Uíge, Distrito Urbano do Sambizanga, ao arrepio da Lei e em flagrante violação dos seus direitos de cidadania”.

Aquele partido destaca a prisão das conhecidas activistas Rosa Conde, que está grávida, e Laurinda Gouveia, detida juntamente com filha Sankara Winnie, de seis meses de idade.

“O Bloco Democrático exige que todos os presos de consciência tenham libertação imediata”, refere a nota.

Para o BD “estes activistas cívicos foram presos porque pretendiam dar início à uma manifestação contra a Indra, a empresa selecionada para gerir o processo eleitoral, e pela libertação dos presos políticos no dia 9 de Abril, apesar desta ter sido convocada nos termos da Constituição e da Lei da Liberdade de Manifestação e as autoridades competentes terem sido atempadamente notificadas do facto”.

O partido revela que “alguns activistas foram agredidos física e moralmente e todos foram privados dos seus telefones e colocados em isolamento, numa cela imunda e à míngua de água, alimentação, de assistência sanitária”

“O Bloco Democrático – BD - responsabiliza o regime autoritário de João Lourenço pelo clima de instabilidade e perseguição dos cidadãos e denuncia com veemência as prisões dos activista Luther King e Tainace Neutro que continuam ilegalmente na cadeia, bem como do activista Gangsta”, destaca a nota de imprensa.

O BD conclui chamando a “atenção dos cidadãos angolanos que a interferência do SIC e do SINSE neste processo, com violação dos meios de comunicação pessoais, visa orquestrar falsos processos crime para enquadrá-los na mal parida narrativa da rebelião contra o Estado, ficcionando “associações criminosas”, para incriminar a Frente Patriótica Unida”, a plataforma que reúne a UNITA, BD e o projecto político Pra-Ja- Servir Angola.

Ontem, a VOA contactou o porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, Nestor Goubel, que nos remeteu oara um comunicado do Comando de Luanda que dá conta que a polícia deteve em momentos diferentes, nas imediações do Cemitério da Santa Ana em Luanda, 10 elementos
numa primeira fase, depois mais sete elementos, logo a seguir dois e mais tarde seis elementos.

"Foram abordados pelas nossas forças no sentido de aferir a legalidade da presença deles na via pública", acrescenta a nota da corporação, que diz que os elementos "foram dispersados".

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