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Advogado de Manuel Chang diz ser "chocante" a falta de decisão do Governo sul-africano


Manuel Chang e advogado em tribunal em Joanesburgo, 31 janeiro 2019

Rudi Krause não entende a demora do ministro da Justiça e Serviços Correcionais, Ronald Lamola, em decidir sobre a extradição do antigo ministro

O advogado do antigo ministro das Finanças de Moçambique Manuel Chang disse à VOA que quase dois anos depois da prisão do seu cliente na África do Sul continua a não saber o que as autoridades tencionam fazer quanto aos pedidos de extradição apresentados pelos Estados Unidos e Moçambique.

Questionado sobre qual a situação de Manuel Chang, o advogado sul-africano respondeu estar na “mesma posição que você”.

“É chocante que o ministro da Justiça e Serviços correcionais ainda não tenha tomado uma decisão sobre o sr. Chang”, disse o advogado

Manuel Chang foi preso na África do Sul em dezembro de 2018 a pedido das autoridades americanas que o querem julgar pelo seu envolvimento no chamado caso das “dívidas ocultas” em que o Estado moçambicano perdeu cerca de dois mil milhões de dólares num negócio no qual alegadamente Chang teria sido subornado.

Os pagamentos teriam sido feitos através de bancos americanos em violação das leis dos Estados Unidos, o que levou a justiça americana a sair no encalce do antigo ministro e seus colaboradores.

O Estado mocambicano e o próprio Chang opuseram-se à extradição para os Estados Unidos e, segundo o Centro de Interidade Pública (CIP), o Governo de Maputo gastou mais de milhão e 500 mil dólares em advogados para tentar impedir a extradição de Chang para os Estados Unidos.

No ano passado, após uma longa batalha legal, o tribunal distrital de Kempton Park sentenciou que Manuel Chang era extraditável e o então ministro da Justiça e Serviços Correcionais da África do Sul, Michael Masutha, decidiu pela sua extradição para Moçambique, dias antes de deixar o Governo.

Após a posse de um novo Executivo, em julho o nóvel ministro da pasta, Ronald Lamola, revogou a decisão do seu antecessor e pediu ao Tribunal Supremo de Joanesburgo a revisão da decisão.

O tribunal devolveu o caso ao ministro Lamola para decisão final, o que até agora ainda não aconteceu.

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