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Acusação de Isabel dos Santos à PGR tem leituras diferentes em Angola


Isabel dos Santos, num evento da Reuters em Londres, 2017

A denúncia feita pela empresária angolana Isabel dos Santos contra a Procuradoria-Geral da República (PGR) que, segundo ela, terá usado um passaporte falso para justificar e pedir o arresto dos seus bens em Angola e, por extensão, em Portugal começa a suscitar reações.

Enquanto a PGR promete pronunciar-se mais tarde, em Luanda alguns levantam dúvidas sobre a acusação e outros dizem que, a confirmar-se a denúncia, é uma situação gravíssima.

Num comunicado divulgado nesta terça-feira, 12, a filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos acusa as autoridades angolanas e portuguesas de terem usado como prova no arresto dos seus bens, no valor de 1,1 mil milhões de dólares, um passaporte falsificado com a assinatura do mestre do kung-fu e ator de cinema já falecido Bruce Lee.

Santos diz que o Estado angolano recorreu a “um passaporte grosseiramente falsificado, com uma fotografia tirada da Internet, data de nascimento incorreta e uso de palavras em inglês, entre outros “sinais de falsificação”.

O passaporte foi apresentado em tribunal pela PGR para demonstrar que “Isabel dos Santos pretendia ilegalmente exportar capitais para o Japão”, alega a empresária que também acusa a procuradoria de fazer uma “utilização fraudulenta do sistema de justiça de Angola” para se apoderar do seu património e empresas.

O jurista e presidente da Associação Mãos Livres, Salvador Freire, diz que “o Governo angolano não tem esse princípio de falsificar documentos e que é idóneo”, e entende que tudo pode ser uma simples manobra de diversão de Isabel dos Santos.

“Penso que a empresária pretende sujar a imagem do Governo angolano”, sublinha.

Para o deputado da oposição e também jurista Lindo Bernardo Tito, caso seja verdade a acusação de Isabel dos Santos será um verdadeiro descrédito para o Estado angolano.

“A ser verdade, estamos diante de uma situação grave e estamos diante de um Estado que não é digno de o ser perante os seus cidadãos”, afirma Tito, para quem, por outro lado, “se não for verdade o Estado tem toda a legitimidade de intentar mais um processo contra a empresária”.

A VOA contactou o porta-voz da PGR, Álvaro João, quem prometeu se pronunciar a qualquer momento.

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