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A política externa do MPLA e da UNITA


Bandeiras dos partidos são vistas nesta colagem de fotos de comícios do MPLA e da UNITA, meio a campanha eleitoral para as eleições de 24 de Agosto 2022

Para o investigador, Francisco Tunga Alberto, os programas de governo dos principais partidos angolanos pecam por não incluir nas suas relações com África e a promoção da cultura africana

As propostas de política externa do MPLA e da UNITA, defendidas pelo nos seus programas de governo destacam a cooperação bilateral com os países e organizações políticas e económicas africanas e o investimento, no país, dos países desenvolvidos visando promover o turismo, o emprego e a diversificação económica.

O MPLA, partido no poder, promete para o período de 2022 – 2027 “posicionar Angola entre os principais actores na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), União Africana (UA) e Conferência Internacional da Região do Grandes Lagos (CIRGL)”.

Por seu turno, a UNITA defende, no seu programa de governo, o que descreve como “a necessidade de criar alianças, edificar pontes de cooperação bilateral ou multilateral por forma a garantir o correcto enquadramento do país na região e no mundo”.

Para isso o principal partido da oposição angolana pretende, na sua proposta de governo, manter e consolidar as relações bilaterais e multilaterais com os países vizinhos e outros países de África e do mundo em especial com a SADC, CPLP, UA, EU e ONU.

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O partido governamental ressalta o posicionamento estratégico do relacionamento com instituições financeiras internacionais, como o Banco Africano de Desenvolvimento, Grupo Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e o reforço do papel de Angola no contexto internacional e regional, assegurando o cumprimento dos acordos, firmados para a integração económica das sub-regiões a que pertence.

Entre outras, o MPLA propõe-se, a promover a candidatura de quadros qualificados angolanos para ocuparem posições de relevo na União Africana, das Nações Unidas, na SADC, na CEEAC e noutras organizações regionais e internacionais.

Promete identificar e negociar opções de integração em zonas de comércio livre, acordos bilaterais e multilaterais que permitam a expansão dos mercados de exportação e a diminuição dos custos de importação e valorizando e promovendo o relacionamento com a diáspora angolana no mundo, assegurando a sua participação no desenvolvimento do País.

Para o investigador, Francisco Tunga Alberto, os programas de governo dos principais partidos angolanos pecam por não incluir nas suas relações com África e a promoção da cultura africana que tem como base as línguas africanas.

“Culturalmente Angola não se localiza em África”, considera o analista angolano, que defende que seria “impossível promover a cooperação com a África Austral, Central ou Ocidental usando na comunicação a língua portuguesa”.

Tunga Alberto entende que o programa eleitoral do partido no poder, o MPLA, não trás nada de novo a não ser as promessas que, em sua opinião, nunca foram cumpridas.

“Talvez a proposta da UNITA, que nunca governou, mereça alguma credibilidade”, defendeu, Tunga Alberto que acusa o MPLA de insistir na contratação de mão-de-obra estrangeira em detrimento dos quadros angolanos.

O MPLA sugere aos eleitores “uma rede de diplomacia económica, através da selecção de parceiros estratégicos, privilegiando mercados-alvo, prioritários, a serem cobertos por uma rede de contactos dos Órgãos responsáveis pela atracção do Investimento Privado e Promoção das Exportações” e defende acções para aumentar o acesso das empresas angolanas aos mercados dos países limítrofes (RDC, Zâmbia, Namíbia e Congo).

A UNITA entende que “Angola é um país que pode ter um contributo importante na segurança alimentar a nível mundial e pode vir a reconstruir as florestas e criar mais um pulmão à escala global e pode ser um destino de investimentos, turismo e lazer, o lar de muitas pessoas um país no qual a sua juventude lidera o pensamento tecnológico do futuro”

Resgatar a imagem de Angola , fazendo com que os outros países descubram o real potencial humano , geográfico , económico, turístico e a capacidade de produção e exportação bem como promover respeito mútuo entre os povos por meio do reforço do intercâmbio e da multiculturalidade, são outras propostas da UNITA.

O economista João Maria Funzi Chimpolo, entende que a diferença entre os programas de governo dos dois principais partidos angolanos reside nos objectivos que cada um pretende atingir, junto do eleitorado.

“A UNITA, através do seu governo de sombra, aproveitou os erros do MPLA para apresentar elaborar o seu programa eleitoral e o MPLA apresentou um programa de política externa a longo prazo”, disse.

Acompanhe as eleições em Angola com a VOA

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