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A inclusão financeira é ainda problemática em Moçambique, dizem analistas 


Maputo, Moçambique

A economista e pesquisadora do Centro de Integridade Púbica (CIP), Celeste Banze, diz que sem a resolução da falta de infraestruturas, incluindo estradas, redes de telecomunicações eficientes e energia, a questão da inclusão financeira em Moçambique será sempre problemática.

A inclusão financeira é ainda problemática em Moçambique, dizem analistas
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Presentemente, apenas três milhões de moçambicanos têm acesso a serviços bancários, e o Governo diz-se empenhado numa estratégia de inclusão financeira, como parte das ações visando combater a pobreza.

Contudo, a economista Celeste Banze diz que com a falta de viabilidade comercial, que impede a penetração das agências bancárias nas zonas rurais, vai ser difícil alcançar esse objetivo.

Falta educação financeira

Mbanze avança que apenas cinco por cento da população da zona rural têm acesso à energia. Na zona urbana, apenas 30 por cento dos residentes locais têm acesso à corrente eléctrica. Isto significa que há zonas que não têm iluminação.

"Desta forma, nenhum agente bancário se sente incentivado a instalar a sua agência nessas zonas, e o aumento do acesso à energia por parte das populações é uma atividade que deve ser realizada pelo Governo", realça a economista. "Este é um constrangimento à inclusão financeira".

A mesma abordagem é feita pela antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Diogo, que também aponta a falta de infraestruturas como um dos principais fatores que dificultam a inclusão financeira.

Na opinião da antiga governante, outros fatores têm a ver com o desenho de produtos financeiros sem ter em conta a apetência e o desejo dos utilizadores, juros altos e a auto-exclusão, devido à falta de educação financeira.

Por seu turno, Jorge Matine, do Fórum de Monitoria do Orçamento, considera que a inclusão financeira passa também por um compromisso claro do Governo com o conceito nacional de desenvolvimento e não com questões de segurança como tem acontecido em Moçambique.

Mais mulheres

Entretanto, um Relatório de Inquérito aos Consumidores Financeiros, divulgado esta sexta-feira, 31, em Maputo, destaca o facto de o número de moçambicanos que têm acesso a serviços financeiros ter aumentado de 2.8 milhões, em 2014, para três milhões atualmente.

As mulheres contribuiram muito para este crescimento, segundo Esselina Macome, do Financial Sector Deepening Mozambique, entidade que facilitou o estudo.

Para Macome, o aumento da contribuição das mulheres, "é algo a ter-se em conta sobre o que fazer e que produtos este segmento feminino precisa para melhor estar envolvido na inclusão financeira".

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