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Na afirmação da luta pelos seus direitos, mulheres dizem que há que passar do discurso ao quotidiano


Mulheres celebram o dia da Mulher Moçambicana pintadas de mussiro e vestidas de capulana. Nampula. 7 de Abril

“Temos belíssimas leis, mas muitas mulheres não conhecem as leis, as leis não transformam o seu quotidiano...temos de ser a ponte entre as convenções, protocolos e meis, e a vida real das mulhres”, diz Graça Machel

A jornada ainda não acabou, alertam activistas das causas das mulheres que reconhecem haver um longo caminho para a sua afirmação cabal.

As causas, ou melhor, as razões são muitas já que ainda há obstáculos, embora umas e outros há muito identificados.

Graça Machel
Graça Machel

Se é verdade que muito se fez e que o quadro legislativo, na maioria dos países, já reflecte esses ganhos, o desafio, segundo muitas activistas e organizações, prende-se agora com passar à prática a legislação aprovada e as políticas anunciadas.

A antiga primeira dama de Moçambique e da África do Sul e activista Graça Machel voltou a chamar a atenção para a necessidade da aplicação das leis.

“Temos belíssimas leis, mas muitas mulheres não conhecem as leis, as leis não transformam o seu quotidiano...temos de ser a ponte entre as convenções, protocolos e leis, e a vida real das mulheres”, sustenta Machel que reitera ser esse o próximo passo a dar.

Quitéria Guirengane
Quitéria Guirengane

A directora executiva do Observatório das Mulheres de Moçambique, Quitéria Guirengane, diz ser imperioso “perceber a crise de representatividade”, que neste momento não permite transformar na prática o que acontece nos discursos.

“Temos paridade governativa, mas as mulheres que estão lá representam e defendem as nossas demandas e fazem com que a nossa voz chegue lá ou somos mobília na prateleira política ou temos direitos para estar lá”, questiona aquela activista, que lamenta que “temos de forçar a aplicação da lei, é uma cova e temos de cavar até a profundidade”.

A antiga ministra, ex-coordenadora do movimento cívico Miguilan e consultora internacional Nelvina Barreto aponta a instabilidade política como o grande entrave ao avanço das conquistas das mulheres na Guiné-Bissau.

Nelvina Barreto
Nelvina Barreto

“A instabilidade da Guiné-Bissau impede que se consolidem ganhos desta natureza, houve recuo, no último Governo de 33 membros só três eram ministras, o processo não é linear, é de muitos recuos e nos fazem perder tempos e ganhos”, acrescenta Barreto, que por exemplo, aponta o facto de as “instituições públicas não conseguirem estruturar-se”.

“Não há esquadras de aproximação que tratem questões femininas”, lembra Nelvina Barreto que defende uma forte aposta na educação.

O programa Agenda Africana, da VOA, analisou estes desafios que as mulheres enfrentam para a afirmação de décadas de luta.

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