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Álex Saab acusa PM de Cabo Verde de inação e denuncia pressão para assinar sua extradição


Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde

O empresário colombiano Álex Saab, detido em Cabo Verde a 12 de junho quando estava em missão a serviço do Governo da Venezuela, denunciou ter sido aliciado por um funcionário a assinar a sua extradição voluntária e acusa as autoridades cabo-verdianas de o terem raptado e de tratarem melhor os traficantes de droga do que ele.

“No dia 12 de Junho, quando o avião em que viajava para a minha missão especial fez uma escala técnica em Cabo Verde, um oficial, que não se identificou, mas que falava inglês perfeito, obrigou-me a sair do meu avião diplomático usando como pretexto um alerta vermelho da Interpol”, escreve Saab numa carta ao primeiro-ministro cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva nesta segunda-feira, 10.

A carta, enviada às redações pela agência de comunicação YoungNetwork Group, o empresário conta ter sido detido quando “eram 20h00 em Cabo Verde, 23h00 em Lyon, onde se encontra a base da Interpol”, quando se sabe, segundo ele “que o alerta vermelho foi apenas emitido a 13 de Junho, pelo que fui basicamente raptado”.

No aeroporto, ainda segundo o enviado especial da Venezuela, “o polícia trancou-me numa cela durante dois dias sem comida nem luz” e “durante este período, o seu funcionário insistiu veementemente que eu deveria assinar a minha ordem de extradição voluntária, o que me recusei a fazer”.

Traficantes melhor tratados

Ao decidir escrever a Correia e Silva, o empresário, cuja extradição para os Estados Unidos foi autorizada pelo Tribunal de Relação de Barlavento, da ilha cabo-verdiana de São Vicente, no passado dia 31, afirma querer “quebrar o silêncio” e manifestar ao primeiro-ministro a situação dele, que pode desconhecer.

“Durante dois meses, e apesar de ter fornecido provas claras e inequívocas de graves problemas de saúde, tive acesso a cuidados médicos rudimentares e perdi quase 20 kg de peso; e tudo apesar de ter sofrido de cancro. Percebi que, no seu país, até os traficantes de drogas têm recebido melhor tratamento e prisão domiciliar; coisas não foram disponibilizadas a mim nem mesmo como Enviado Especial”, narra Alex Saab, que fala das suas origens, dos seus negócios e da sua relação com a Venezuela.

Na longa carta, Saab diz ter sido alvo uma “grande injustiça”.

“Foi-me negado o direito a uma audiência e a minha equipa de advogados não teve acesso ao relatório do procurador, o que é inédito na história jurídica de Cabo Verde”, continua o empresário.

"Inação" do primeiro-ministro

Em referência ao primeiro-ministro cabo-verdiano, Saab afirma ter “dificuldade em aceitar que, mesmo depois de a Venezuela ter declarado oficialmente a minha imunidade, V. Exa. nada fez para retificar a situação”.

E mais: “Não tenho dúvidas de que sua inação terá consequências jurídicas e políticas”.

Álex Saab defende-se das acusações e dirige fortes críticas aos Estados Unidos que, segundo ele, apesar do arquipélago ser independente há 45 anos, “ consideram Cabo Verde como um país de segunda classe que não merece um nível adequado de respeito”.

“De que serve proclamar a sua independência e agora submeter-se (ilegalmente) para agradar aos Estados Unidos?”, pergunta o enviado especial da Venezuela, quem acusa Washington de o considerar como alvo e que “segundo os seus modelos extraterritoriais, estavam dispostos a ir o mais longe possível para me impedir de cumprir as minhas obrigações para com o povo venezuelano”.

Críticas aos Estados Unidos

“Esta mentalidade distorcida incluía o meu rapto, como num filme de Hollywood, para me apresentarem a sua versão de “justiça”, acusa Saab.

“Apenas peço justiça e que Cabo Verde, como membro da ONU, respeite a minha imunidade e me permita regressar ao meu país”, conclui.

Álex Saab foi detido a 12 de junho em Cabo Verde a caminho do Irão, onde, segundo Caracas, iria negociar a compra de produtos e bens para o país.

Ele foi detido a pedido dos Estados Unidos que o acusam de vários crimes, como lavagem de mais de 350 milhões de dólares nos bancos americanos.

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