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África terá que lutar contra o radicalismo islâmico por muito tempo, diz especialista


Professor Jonuel Gonçalves avisa que radicais poderão aumentar actividades no norte de Moçambique devido ao fraco sistema de segurança

O problema dos radicais islâmicos em África é algo com que o continente “vai ter que lidar durante muito tempo”, disse à VOA o professor angolano Jonuel Gonçalves, que avisou que em Moçambique a acção dos radicais islâmicos de poderá agravar-se.

Africa terá que enfrentar jihadismo durante muito tempo - 12:46
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Ao participar na rubrica “Agenda Africana”, aquele economista e conhecido especialista em questões africanas disse que o “jihadismo” é um dos problemas em África que poderá durar décadas.

Jonuel Gonçalves fez notar que o radicalismo internacional, reflectido na Al Qaeda e no Estado Islâmico, tinha perdido terreno nas suas zonas de actuação fora de África.

No caso africano, o radicalismo islâmico tinha também tentado estabelecer um Estado islâmico no norte do Mali.

“Também perderam essa batalha porque sempre que se põem a descoberto perdem, mas depois – sobretudo no caso africano – conseguem basear-se em estruturas que existiam e crescer”, explicou.

“Esse é o caso na região do Sahel, onde há uma espécie de federação de pequenos grupos que está novamente a inquietar e a ganhar dimensão”, acrescentou.

“É o chamado Estado Islâmico do grande Sahara”, disse, sublinhando que este grupo “ataca sobretudo os países mais democráticos”, nomeadamente o Mali e o Burkina Faso, neste ultimo país na própria capital

“Isto significa que têm uma capacidade de mobilização de células locais”, advertiu.

Aquele professor universitário fez notar que os países da região “têm uma capacidade de defesa muito limitada e por outro lado uma grande miséria” pelo que a capacidade de radicalização através de “mesquitas radicais é muito grande”.

Jonuel Gonçalves fez notar que o surgimento do radicalismo religioso se deve ao facto de em muitos países árabes a modernização foi feita de modo considerado muito agressivo por sectores tradicionais das sociedades “que são ás vezes maioria” e por outro lado se deve também ao fracasso dos regime do mundo árabe.

As duas vias históricas de penetração do Islão em África feitas por comerciantes através do Sahara e por via do oceano Indico através da Somália são hoje, por coincidência ou não, “as duas vias de penetração do jihadismo,” disse Jonuel Gonçalves para quem as tropas francesas estacionadas na África Ocidental “são fundamentais na contenção do jihadismo”.

Na Africa Oriental as intervenções externas são essencialmente baseadas no Djibouti onde estão forças francesas , americanas e agora também da China.

O professor disse que a actual situação de contenção se pode manter por tempo indeterminado.

O jihadismo “é um movimento pendular no sentido de que de repente há acções espetaculares que podem acontecer a qualquer momento”, disse fazendo notar que o jihadismo “é conduzido de forma muita mediática”.

Jonuel Gonçalves avisou que Moçambique é um alvo que provavelmente o jihadismio vai investir nele porque “as medidas de segurança apresentam muitas brechas”.

“Esse movimento ( em Moçambique) parece não ter equipamento suficiente porque se tivesse poderia ter feito atentados muito mais graves em Cabo Delgado”, acrescentou

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