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África do Sul: Com o rand em queda, economista Tito Mboweni assume a pasta das Finanças


South African rand coins are seen in this photo illustration taken Sept. 9, 2015.

Filho do anterior ministro esteve envolvido na aquisição de uma refinaria em Nacala, norte de Moçambique; Mboweni assume o posto numa altura crítica da economia.

O economista Tito Mboweni está de volta ao executivo sul-africano para assumir, a partir desta terça-feira, 9, o cargo de ministro das Finanças.

Mboweni, ex-governador do banco central do país, substitui Nhlanhla Nene, que está a ser ouvido pela comissão que investiga a interferência da familia Gupta, de origem indiana, no governo do afastado presidente Jacob Zuma.

Nhlanhla Nene (no centro)
Nhlanhla Nene (no centro)

Nene admitiu ter se relacionado com os Guptas, entre 2010-2014, o que foi motivo para Ramaphosa ser pressionado para o afastar do seu governo.

Aquisição de Refinaria em Nacala

Por outro lado, em 2014, altura em que Nene era gestor da Corporação de Investimento Público (PIC), a empresa do seu filho Siyabonga Nene pediu financiamento para a aquisição de 50% da S&S Refinarias de Óleos, em Nacala, de Momade Rassul Rahim.

A PIC é financiada pelo fundo de pensões dos funcionários públicos sul-africanos. Siyabonga pretendia adquirir a participação na empresa moçambicana com o seu sócio indiano Muhammad Amir Mirza, com o qual estabelecera a Indiafrec Trade&Invest.

O projecto inicial submetido era de 100 milhões dólares e teve apreciação positiva da PIC. Siyabonga retirou-se da empresa, mas consta que o seu sócio indiano teve pagamentos da PIC operando com outra empresa.

Segundo reporta o Mail and Guardian, o porta-voz de Nene disse que ele apenas teve conhecimento do envolvimento do filho na Indiafrec numa conversa casual, e nunca interferiu nas negociações entre aquela empresa e a PIC.

Mboweni e mudanças radicais

Ao anunciar Mboweni, o porta-voz do ANC, partido que governa o país, destacou as qualidades do homem com a fama de defender mudanças radicais para a transformação da economia da África do Sul.

“Ele sabe do que irá falar, Tito é economista com ricos conhecimentos sobre ambas questões fiscais e monetárias”, disse Gwede Mantashe, que é também ministro dos Recursos Minerais.

Segundo o jornal sul-africano Mail&Guardian, Mboweni desempenhou um papel muito importante para ajudar o ANC a transformar economia sem garantir o acesso fácil a capitais aos empresários locais.

Mboweni volta a assumir um cargo governamental numa altura em que o presidente Cyril Ramaphosa tenta recuperar a economia do país que enfrenta a recessão e alto índice de desemprego.

Analistas vaticinam que Mboweni poderá aplicar as suas visões radicais novo posto.

No mês passado, consciente de ser uma opinião pouco popular, disse em entrevista a CNBC-Africa, que o seu país para evitar uma recessão à larga escala deve, entre outras medidas, reduzir funcionários públicos, “ter poucos, mas bem remunerados e usar a poupança resultante do corte em infraestruturas”.

Mboweni, 59 anos de idade, é da etnia tsonga, de Tzaneen, em Limpopo. Fez o mestrado de economia de desenvolvimento, na Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

Membro do ANC desde a juventude, foi, em 1994, nomeado ministro do Trabalho, por Nelson Mandela.

Em 1999 foi nomeado governador do Banco Central da África do sul, por Thabo Mbeki. Ocupou o cargo até 2009.

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