sábado, 02 agosto, 2014. 06:30 UTC

Notícias / Moçambique

Cruz Vermelha precisa de 700 mil dólares para os desalojados das cheias em Moçambique

O apelo foi lançado em Genebra, e a organização humanitária adianta que os stocks de ajuda estão a beira de ruptura

De acordo com as previsões, as chuvas vão continuar até meados de Abril
De acordo com as previsões, as chuvas vão continuar até meados de Abril
Lisa Schlein
A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho anunciou que precisa de 700 mil dólares para assegurar as ajudas de emergência as vítimas de inundações em Moçambique.

Segundo esta organização, sediada em Genebra, 250 mil pessoas foram afectadas pelas cheias em Moçambique, e 160 mil delas ficaram desalojadas.

Estas são as mais severas inundações a afectar o sul e centro de Moçambique desde 2000, quando mais de 700 pessoas morreram devido às cheias e mais de um milhão ficaram sem casas.

Nas cheias deste ano, o número de mortes continua abaixo de cem vítimas. A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho adianta que o reduzido número de mortes indica que o sistema moçambicano de alerta assim como o programa de prevenção de desastres estão a funcionar.

As chuvas torrenciais prosseguem registando-se a destruição de casas, escolas, centros de saúde e plantações, forçando as populações afectadas a abandonarem suas casas em busca de lugares seguros. As chuvas deverão continuar até o mês de Abril, isto de acordo com as previsões.

A porta-voz da Cruz Vermelha, Jessica Sallabank disse que a província de Gaza é mais afectada.

“Cem mil pessoas nessa província foram desalojadas. Muitas pessoas estão a dormir ao relento. Têm dormido no mato. Parece até desesperante, cenas caóticas. Estima-se que 40 mil pessoas estejam no Campo de acolhimento da cidade de Chokwe...Portanto em toda esta área há um massivo problema de desalojados.”

A Cruz Vermelha de Moçambique informou que os stocks de comida, água e outros meios logísticos encontram-se a beira de ruptura. Jessica Sallabank diz que todos os dias surgem novos problemas de saúde.

“O risco da malária, diarreia, cólera é muito, muito alto. As pessoas estão dormir ao relento e sem redes mosquiteiras, e próximos dos pântanos, ou poços de água – não há água limpa, nem condições de salubridade. Podem imaginar situações em que 200 mil pessoas estejam a viver assim… É uma situação muito preocupante.”

A Cruz Vermelha indicou também que as inundações afectaram mais de 100 mil hectares de terras cultivadas, e considera a presente situação de um desastre para a população que depende da agricultura ou da criação de gado.

Apesar do agravamento da situação, a Cruz Vermelha indicou que até ao momento só recebeu disponibilidade de financiamento em 30 por cento do seu pedido de 18 milhões de dólares de ajuda. A organização alerta que comunidades pobres não poderão recuperar-se de desastres como estes sem o apoio humanitário.
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