terça-feira, 03 março, 2015. 09:17 UTC

Notícias

Polícia angolana prende manifestantes e trava protesto anti-governamental

O advogado angolano Fernandes Nascimento considera que as detenções da madrugada de segunda-feira foram ilegais à luz das leis do país

Praça da Independência, Luanda, na manhã de segunda-feira
Praça da Independência, Luanda, na manhã de segunda-feira

A jornalista Ana Margoso fala sobre a sua detenção

Luanda viveu um dia tenso marcado pelas iniciativas extraordinárias das autoridades para impedir a realização de uma manifestação de protesto contra os 32 anos de regime de José Eduardo dos Santos.

Apesar de convocada por desconhecidos através da internet, o governo angolano levou a intenção a sério, tendo o MPLA convocado a sua própria manifestação de apoio ao presidente Eduardo dos Santos, no sábado, e tornando bem claro que não iria tolerar qualquer manifestação anti-governamental.

A segurança esteve mais apertada nas primeiras horas do dia, em Luanda, com a presença de homens e meios em algumas passagens de acesso ao centro da cidade ou ainda em potenciais pontos de concentração, principalmente na Rua Comandante Bula, ou a Av. Cónego Manuel das Neves, no S. Paulo junto ao edifício da CEAST.

Na Amílcar Cabral que dá acesso ao aeroporto internacional registou-se a presença de militares armados, transportando meios de comunicação.

A Praça da Independência, local indicado para a concentração dos manifestantes estava deserta de população mas continuava a ser rondada pela polícia da ordem pública e também militar, com aquela  a ser vista a interpelar jovens que circulavam de motorizada nas ruas adjacentes, no que podia até certo ponto ser entendido como operação normal. Homens à paisana foram igualmente reconhecidos nalguns locais.

A situação em Luanda relatada por Alexandre Neto

O trânsito congestionou-se por volta do meio dia, mesmo assim com menos intensidade do que é comum em Luanda, em parte devido à pausa de Carnaval dos alunos do I e II ciclo do ensino geral. Há relatos de escritórios que não abriram ao público nesta segunda-feira. Mesmo alguns bancos fizeram-no tardiamente. Mas foi nas empresas de construção civil onde foi notório o absentismo dos trabalhadores.

As medidas de segurança no centro de Luanda eram bem visíveis, com a presença em ostensiva de forças policiais empenhadas em evitar qualquer aglomeração popular. Logo depois da meia-noite, a polícia fez algumas detenções em Luanda. Em Cabinda, o cenário foi idêntico, com alegações de tortura dos detidos.

Ana Margoso, jornalista angolana
Ana Margoso, jornalista angolana

Este dia que vale lembrar, começou com a detenção de 20 pessoas na praça da independência, local indicado para concentração dos manifestantes, era meia noite e trinta.

Entre as pessoas detidas em Luanda - posteriormente libertadas -encontravam-se três jornalistas, entre os quais Ana Margoso, do “Novo Jornal,” que estava no local para fazer a cobertura do programa manifestação. Aquela repórter contou à VOA que foi “violada emocionalmente “ pelas autoridades, que acederam às mensagens que tinha no seu telemóvel, querendo saber de quem era as pessoas com quem a jornalista se relacionava, pessoas ligadas à oposição.

A polícia, que obrigou os detidos a sentarem-se no chão, perguntou a Ana Margoso o que ela pensava pessoalmente da manifestação anti-governamental de 7 de Setembro. A jornalista disse que não estava ali para dar a sua opinião pessoal, mas para fazer uma reportagem factual.

A propósito, o advogado angolano Fernandes Nascimento considerou que as detenções da madrugada de segunda-feira foram ilegais à luz das leis do país.

A liderança do MPLA na manifestação de sábado
A liderança do MPLA na manifestação de sábado

Outro dos detidos, que a VOA ouviu, identificou-se como apoiante da manifestação de protesto, mas identificou-se apenas como Jovem Carbono. Na sua opinião, o povo angolano tem uma grande vontade de se expressar em função de “uma profunda necessidade de mudança” há muito existente entre os angolanos.

Apesar da manifestação de 7 de Março ter sido abortada, este jovem está convicto de que “haverá, em breve, uma nova oportunidade” do povo se pronunciar.

Jovem manifestante esteve preso e conta o sucedido

A Sul de Luanda, na estrada para Sumbe, o trânsito seguia mais "sonolento" do que seria habitual numa segunda-feira, com mais carros a sair da capital do que aqueles seguiam em direcção contrária. O repórter da VOA encontrou alguma renitência em obter  comentários políticos dos cidadãos que interpelou. As pessoas preferiam, visivelmente, falar das festividades do Carnaval do que de manifestações contra o governo de Luanda.

A situação a Sul de Luanda vista por Faustino Diogo

Cabinda acordou, segunda-feira, sob fortes medidas de segurança com alguns agentes à paisana dispersos por toda a capital daquele território, para impedir qualquer tentativa de manifestação. Quatro pessoas foram presas e há alegações que um dos detidos terá sido torturado.

Apesar disso, em Cabinda a agitação social não surge apenas em virtude do alargado período de governação do MPLA. O contexto particular do enclave tem mobilizado os cabindenses sobretudo jovens, para manifestações contra a presença angolana, não do pelas razões política, mas pela crise existente a vários níveis, nomeadamente gerando desemprego, miséria e desenvolvimento pouco visível, se comparado com o que se faz em outros pontos de Angola.

Quatro cidadãos foram, entretanto, detidos logo pela manhã suspeitos de terem pretendido ir para a rua manifestar-se.

O clima é ainda de intimidação segundo o activista cívico Marcos Mavungo, que denunciou as vicissitudes porque que passou Agostinho Chicaia, presidente da extinta Mpalabanda - Associação Cívica de Cabinda.

Aquele indivíduo, actualmente a coordenar o projecto transfronteiriço de protecção da floresta do Maiombe, foi impedido de seguir viagem para a região de Ponta Negra, na Republica do Congo Brazaville, e faz um relato detalhado à VOA.

A situação em Cabinda

O forúm foi encerrado
Comentários
     
Năo existem comentários. Seja o primeiro

Siga-nos

Rádio

AudioAngola Fala Só: Ao Vivo I Mp3

Sexta 16:30 - 17:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Seg-Qui 17:00 - 18:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Sexta-feira 17:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Sáb-Dom 17:00 - 18:00 UTC

Os Nossos Vídeos

Your JavaScript is turned off or you have an old version of Adobe's Flash Player. Get the latest Flash player.
Marcha em Moscovo homenageia líder da oposição assassinadoi
X
02.03.2015 19:26
Milhares marcharam em homenagem a Boris Nemtsov, líder da oposição russa, assassinado em Moscovo quando passeava com a namorada pela ponte com vista para o Kremlin, na capital da Rússia. Boris Nemtsov assassinado com quatro tiros
Vídeo

Vídeo Marcha em Moscovo homenageia líder da oposição assassinado

Milhares marcharam em homenagem a Boris Nemtsov, líder da oposição russa, assassinado em Moscovo quando passeava com a namorada pela ponte com vista para o Kremlin, na capital da Rússia. Boris Nemtsov assassinado com quatro tiros
Vídeo

Vídeo Putin ex-espião, novo herói da Rússia

Analistas dizem que Putin, um antigo espião, está determinado em restaurar a imagem da Rússia em colocar o país no lugar que lhe compete no mundo – qualquer que seja o meio para alcançar esse objectivo.
Vídeo

Vídeo Birdman - A Inesperada Virtude da Ignorância ()

A sátira de Alejandro Gonzalez Inarritu obteve dois dos principais óscares na noite de Domingo Se nunca viu o filme, mostramos-lhe o filme para que entenda a decisão da Academia de Hollywood.
Mais Vídeos