quarta-feira, 26 novembro, 2014. 02:49 UTC

Notícias / África

2012: Ano mais mortífero da Boko Haram

Nebulosa terrorista nigeriana matou mais de 750 pessoas este ano e ultimamente tem reivindicado a sua relação com a al-Qaida

Imagem de um vídeo publicado pela Boko Haram que apresenta o Imã Abubakar Shekau (na foto) como o seu líder
Imagem de um vídeo publicado pela Boko Haram que apresenta o Imã Abubakar Shekau (na foto) como o seu líder

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Heather Murdock
A seita islâmica nigeriana, Boko Haram tem sido acusada pela morte de mais de 750 pessoas em 2012, tornando-se no mais sangrento grupo do ano, com ataques contra igrejas, escolas, edifícios governamentais, órgãos de imprensa, mercados, forças de segurança e redes de comunicações.

Heather Murdock em Abuja, reporta sobre a escalada da violencia, o falhanço dos esforços de paz e a expansão internacional da acção da Boko Haram.
 
Uma gravação vídeo foi publicada na YouTube no início de Maio, poucos dias depois do edifício do proeminente jornal nigeriano This Day, ter sido alvo de uma explosão na capital do país. Um cúmplice do bombista estava no local com uma câmara a espera da explosão.

Rosemary Ufayo Lawani estava por perto na sua loja de mercearia, quando ouviu a explosão. O edifício onde se encontrava tremeu do impacto, e a seguir ela viu chamas e fumaça. Desde então, Lawani tem vivido apavorada pelo receio de novas explosões, execuções e homens armados disparando contra civis.

“Temos medo porque vem-nos a mente todos os instantes. Não dormimos com os dois olhos fechados. Toda a gente dorme pensando, ‘onde é que será o próximo local alvo do ataque’?”

Por causa do elevado número de ataques este ano, a Boko Haram está cada vez mais a levantar preocupações internacionais. No início do ano o grupo reivindicou os laços com a al-Qaida mas muitas pessoas pensaram que era uma apenas uma táctica da Boko da Haram. Especialistas em questões de segurança agora concordam na generalidade que a Boko Haram tem laços operacionais com outros grupos de milícias, tal como al-Qaida e al-Shabab. Em finais de Novembro, a Boko Haram publicou um vídeo no YouTube que mostra a sua conexão a outras organizações “jihadistas” e ameaçou os Estados Unidos, Israel e Nigéria de represálias.

O director executivo do Centro de Políticas e Advocacia em Abuja, Clement Nwankwo diz que se a Boko Haram se unir com as milícias que controlam o norte do Mali, os governos da Africa Ocidental podem estar em perigo.

“É um problema internacional. Penso que se o governo nigeriano encarasse esse problema com seriedade que realmente se exige, então precisaria de trabalhar com vários outros governos nas acções contra o terrorismo, não apenas em África mas em todo o mundo.”

A Boko Haram comunica com o público livremente através do YouTube, linhas telefónicas bloqueadas, e e-mails de origens indecifráveis. O seu “porta-voz” é conhecido como Abu Qaqa, e foi dado como preso e morto pelo menos duas vezes ainda este ano. Alguém que publicamente assumiu a identidade de Abu Qaqa diz que tudo não passa de mentiras.

Para Lawani, a proprietária de mercearia, a solução mais plausível do problema deve passar pelo reconhecimento e cedências, para forçar a Boko Haram a sair da sombra.

“Se eles vierem ao público e apresentarem as suas exigências, a população nigeriana poderia considerar e pedir ao governo que as responda. Isso é bom para eles. Dê-lhes isso, por favor. Façam algo porque estamos a perder almas todos os dias.”

As conversações de paz estão a ser consideradas, e essa ideia tem um largo apoio do público. Foram anunciadas discussões secretas no início deste ano, depois que a Boko Haram anunciou que estava para abandonar as conversações a seguir a sua revelação pública. As conversações de paz, seguintes têm sido reveladas pela imprensa e embora negadas pela Boko Haram ou pelo menos com alguém que dizia fazer parte do grupo.

Actualmente a ideia de conversações tornou-se menos popular, com o presidente Goodluck Jonathan a afirmar que não há negociações porque as autoridades desconhecem a Boko Haram.

Clement Nuankwov do Centro de Políticas e Advocacia de Abuja diz que a única forma para parar com os ataques é acabar com os recrutamentos pela Boko Haram de jovens que a aderem por causa do desemprego, pobreza e desespero.

“Não se pode apenas por acção militar pôr fim a isso. Tem que ser uma combinação da acção militar a uma infusão de projectos de desenvolvimento na região, e o governo não está a fazer a segunda parte disso.”

Os militares e a polícia nigerianos fizeram do combate a Boko Haram, uma prioridade.
Mas a Amnistia Internacional critica esses esforços afirmando que os militares são conhecidos em disparar antes de deter, alienando o público e reduzindo as possibilidades de recolha de todas as informações.

No início de Dezembro, o presidente Goodluck Jonathan pediu aos Estados Unidos que designou três membros da Boko Haram como terroristas internacionais, a apoiar a Nigéria a encontrar uma “solução duradoira a esses problemas”.
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