sexta-feira, 01 agosto, 2014. 15:54 UTC

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Nigerianas são a presa fácil da prostituição africana na Europa

Com promessas de empregos lucrativos milhares de africanas descobrem ao chegar a Europa o pesadelo que lhes agurada e por receios de represálias acabam como escravas sexuais

Grace Osakue é presidente de uma ONG (Girls Power Initiative) e tem trabalhado em sensibilizações contra o tráfico sexual na Nigéria
Grace Osakue é presidente de uma ONG (Girls Power Initiative) e tem trabalhado em sensibilizações contra o tráfico sexual na Nigéria

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Heather Murdock
Dezenas de milhares de nigerianas são forçadas a escravidão sexual na Europa e sentem-se presas a trabalhar como prostitutas e fazem-no sob a crença da magia negra.

As que conseguiram se escapar afirmam que viajaram para a Europa com promessas de empregos lucrativos.
 
Mesmo não se acreditando no feitiço, não há como negar a influência da feitiçaria nas mais elevadas instâncias do poder na Nigéria.

  Precious Uyinmwen é natural do Estado do Edo, donde é originária a maior parte de prostitutas nigerianas na Europa. Um belo dia, ela foi abordada por traficantes que lhe disseram que os seus irmãos mais novos poderiam viver melhor – fora da pobreza – se ela aceitasse uma proposta de emprego na Europa. Um curandeiro tradicional encarregou-se pelo resto ou seja preparou-lhe um juramento – nada mais que um acto de exorcismo.

Ela jurou que iria pagar 45 mil dólares, um valor que no seu entender seria igual a 45 mil Nairas nigerianas, o equivalente a 220 dólares. Foi ainda alertada que no caso de quebrar o juramento ela iria morrer.

“Eles levaram-me para um curandeiro para consultar o oráculo e foi-me dito que nunca os deveria implica-los em nada. E devia fazer de tudo para pagar aquele valor em dinheiro. Foi esse o acordo.”

Tal como outras vítimas do tráfico sexual, Precious diz que não sabia que partiria para a Europa a fim de se prostituir. Conta que zangou-se e gritou para os seus mentores quando foi despachada para serviço com um estranho. E sempre que recusa-se batiam-na com colher de metal.

Florence Igbinigie é uma antiga comissária para Assuntos da Mulher no Estado do Edo e diz que os efeitos a longo prazo da violência sexual são devastadores.

“Algumas dessas raparigas, acabam por morrer. Outras acabam por abraçar o vício de tal forma que torna prática social ou outra coisa qualquer.”

O governo e as organizações de ajuda estão a conduzir há anos campanhas de sensibilização, contudo, num estado de profunda pobreza, a promessa de riqueza numa outra terra acaba por ser sempre mais poderosa.

Uma responsável de uma organização feminista diz que as vezes quando as campanhas tiverem efeito sobre as jovens que conseguem contactar, os traficantes mudam de alvo e começam, a cortejar outras.

O governo está a trabalhar no sentido de adoptar leis mais rígidas contra o tráfico sexual, incluindo a criminalização daqueles que forçarem as jovens a juramentos antes de serem lançadas no mundo da prostituição.
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