segunda-feira, 24 novembro, 2014. 06:40 UTC

Moçambique

2012: Ano termina em Moçambique com sociedade sedenta de melhores dias

Logo após a euforia das festas de transicção, Moçambique vê-se a braços com uma onda de raptos e sequestros

Marcha do Dia da Paz em Moçambique 4 de Outubro (Foto SAPO)
Marcha do Dia da Paz em Moçambique 4 de Outubro (Foto SAPO)
William Mapote
Mais um ano, novas e velhas esperanças enchiam o cidadão moçambicano, sedento de melhores dias e um futuro cada vez melhor.

Logo após as euforias das festas de transicção, o país vê-se a braços com uma onda de raptos e sequestros, um novo tipo de criminalidade, que visava membros das comunidades de origem asiáticas, sobretudo, com algum poder económico.


Este novo tipo de crime, ganhava contornos cada vez mais alarmantes e colocava a nú as fragilidades policiais de lidar com cada vez mais sofisticados esquemas de crime.

As comunidades visadas decidem então marcar sua posição. Exigem uma resposta eficaz por parte do governo, chegando mesmo a exibir o seu poder de força num encontro com o Presidente da república, Armando Guebuza, a quem exigem acção sob ameaças de retirar o apoio dado ao partido Frelimo.

Após reunião com Guebuza, viu-se uma acção policial cada vez mais enérgica e, coincidência ou não, os factos mostram que o número de ocorrências ia diminuindo, ficando um registo global de cerca de duas dezenas de vítimas e milhares de dólares pagos em resgates, faltando até ao momento, rostos por detrás daquele tipo de crime.

Mas porque não é apenas de criminalidade que o país se fez, outros factos há que são, efectivamente, dignos de realce.

Na esfera económica, o país continuou a ser referenciado como um dos destinos privilegiados de negócios ao nível mundial, contrastando com a tendência mundial, marcada pela crise financeira.

As descobertas do gás natural eram anunciadas em quantidades astronómicas, colocando o país, num short list de países com reservas de classe mundial.

Com o crescimento das reservas, crescem também os desafios, o principal destes é transformar as riquezas em recursos para melhorar a vida dos cidadãos.

Enquanto as descobertas são realidade, realidade é, também, a situação da pobreza nos centros urbanos do país. Como prova disso, a cidade do Maputo voltou a registar um nível de agitação social, em resultado do agravamento das tarifas de transporte.

Oportunismo, vandalismo ou tantos outros nomes dados aos autores daqueles factos, verdade é que, de certa forma, ilustram a tensão socialo latente, resultante das assimetrias sociais.

Ao nível político, a Frelimo, partido no poder realizou em Pemba o seu 10º Congresso. Era um congresso que se rotulava de congresso da viragem, uma viragem que ficou em promessas para o próximo ano.

A Congresso também foi o MDM, terceira maior força política nacional, que pela primeira vez juntou seus membros a este nível.

A 8 de Outubro, o Presidente Guebuza exonerava Aires Aly do cargo de Primeiro-ministro e, para o seu lugar, nomeou Alberto Vaquina, que exercia as funções de governador da província de Tete.

Mas foi a celebração dos 20 anos dos Acordos Gerais de Paz que deixam mais realce neste ano. O balanço das duas décadas vem de todos os lados e no geral, ficam constatações de que ainda é preciso consolidar a paz.

As fragilidades dos 20 anos dos Acordos Gerais de Paz voltaram a ser demonstradas pelas reivindicações da Reanamo, signatária dos Acordos e que exige uma renegociação para instalar uma nova ordem política no país.

Mais uma vez, o partido de Afonso Dhlakama, que duas décadas depois, voltou a refugiar-se na sua antiga Basse, na serra de Gorongosa, vai proferindo ameaças para impor as suas reivindicações.

Na recta final do ano, a Renamo e a Frelimo voltaram a nomear equipas de negociação, que resvalaram em fracasso, dadas as divergências do objecto a ser negociado.
O Presidente da República, veio a público dar voz ao posicionamento do seu partido e do governo exigindo objectividade nas exigências da contraparte nas negociações de Roma.

Guebuza, que cumpre em 2012 o terceiro ano do seu último mandato, considera, no seu balanço anual, que o país, está num bom caminho rumo ao desenvolvimento.

Mais um ano termina, novas e velhas esperanças transitam e a sociedade contínua sedenta de melhores dias e um futuro cada vez melhor.
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