segunda-feira, 20 outubro, 2014. 22:48 UTC

Moçambique

Bairro histórico de Mafalala torna-se atracção turística em Maputo

Grupo moçambicano organiza visitas a bairro histórico do Maputo. Samora Machel, José Craveirinha, Eusébio e outros vieram deste bairro da cidade do caniço

João Santa Rita
Quem chega ao Maputo por via do aeroporto de Mavalane pela Avenida dos Acordos de Lusaka que liga depois à Avenida Marien Ngouabi não se aperceberá certamente que nos bairro pobres que enquadram a via para a “cidade de cimento” está um dos bairros  históricos da capital moçambicana.




Mafalala é o seu nome e tem importância não só para a história do Maputo como de Moçambique. Ao fim e ao cabo, de lá saíram ou lá viveram figuras históricas da poesia como Noémia de Souza, da política como Samora Machel e do desporto Eusébio.

É talvez interessante notar que de acordo com alguns estudiosos o nome Mafalala vem da palavra de uma dança Macua, Mfalala praticada por pessoas que vinham do norte para a capital colonial a então Lourenço marques. Originalmente a zona teria portanto o nome de Ka Mfalala  ( o sitio  da Mafalala) e mais tarde ficou apenas Mafalala.

Mas visitar a Mafalala é algo que ninguém, sem interesse pessoal no local, fazia. Quem quer visitar um bairro pobre, numa zona pobre?

Graças a um projecto de moçambicanos isso está a mudar. Hoje é possível fazer uma “tour” da Mafalala visitando esses lugares históricos, conhecendo o bairro e quem lá vive.

A organização IVERCA tem estado a levar a cabo passeios a esse bairro, uma ideia original quiçá arriscada porque a Mafalala não é precisamente um lugar turístico.

Ivan Laranajeira um dos arquitectos do projecto disse que  ele próprio é da Mafala e que cresceu a ouvir “as histórias sobre o Eusébio, sobre o poeta José Craveirinha”.
Foi já na universidade  que se apercebeu da ligação “entre turismo e o património cultural”.

“É daí que surgiu a ideia,” disse.

Ele e um grupo de amigos estudantes iniciaram  o projecto mas inicialmente  a recepção à ideia “não foi das melhores”.

“Houve muito cepticismo principalmente e por parte de possíveis parceiros,” recordou Laranjeira lembrando como que “muitos pensaram  que eramos um tanto ou quanto malucos”.

Havia dúvidas por causa da criminalidade e outras questões, disse.
Mesmo entre a própria população do bairro não houve entusiasmo pela ideia pois “a auto estima era muito reduzida”.

“Foi preciso um trabalho muito forte para restaurar a confiança,” recordou.
Laranjeira disse que a resposta ao cepticismo foi lançar o “festival Mafalala”  para promover o bairro “ e promover as coisas boas da Mafalala”.

Hoje esse festival de um dia já teve a sua quarta edição e est-se a preparar a quinta edição que ao contrário dos anteriores deverá durar um mês.

Mas o que garante  a sustentabilidade do projecto são as visitas a pé de turistas que se mostram interessados em visitar a Mfalala, conhecer a sua história e o seu povo.

O roteiro a pé de cerca de três horas visa ilustrar o bairro sob o ponto de vista político, social e cultural. Assim os turistas visitam  as casas onde habitaram os poetas José Craveirinha e Noémia de Sousa, as casas de Samora Machel e Joaquim Chissano e claro está a casa onde viveu Eusébio.

“É um trajecto para as pessoas conhecerem a realidade do bairro, para se inteirarem de questões como saneamento, electricidade e também a parte cultural,” disse Laranjeira.

A maior parte das pessoas interessadas são estrangeiros, disse Laranjeira mas a IVERCA planeia agora organizar tours para escolas primárias.

O apoio das autoridades tem sido pouco embora a Câmara tenha ajudado a resolver “questões burocráticas” e o governo ajuda na promoção

Hoje hotéis e agências de viajem já encaminham clientes para a IVERCA cujas tours são a sua sustentabilidade.

“Caminhamos com as nossas próprias pernas,” disse Laranjeira.

A organização pode ser contactada através do seu site www.Iverca.org ou pelo telefone 824 180 314
O forúm foi encerrado
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