segunda-feira, 08 fevereiro, 2016. 14:20 UTC

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    Mali pode tornar-se num esconderijo de terroristas

    Conselho de Segurança avaliou os riscos e autorizou o envio de uma força de intervenção para liberar o norte do país controlado pelos grupos terroristas

    Milícias do grupo islamico Ansar Dine Islamic em Gao no nordeste do Mali, June 2012.
    Milícias do grupo islamico Ansar Dine Islamic em Gao no nordeste do Mali, June 2012.

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    Anne Look
    Líderes africanos e mundiais disseram que jamais irão deixar o Mali tornar-se num esconderijo de terroristas, um Estado falhado que muitos até chamam de “Afeganistão” no Sahel.

    O Conselho de Segurança das Nações Unidas deu aval ao envio de uma força militar regional ao Mali no próximo ano para pôr cobro a persistente crise política na capital e ajudar as forças armadas malianas a reassumirem o controlo do norte do país actualmente em poder de milícias islâmicas associadas a al-Qaida.

    2012 foi o ano em que homens armados assumiram o controlo do Mali. E esse domínio parece cada vez mais forte do que nunca – tanto no norte como no sul do país.
    Analistas afirmam que a junta militar controlo os cordelinhos em Bamako, a capital. Os soldados que se tinham amotinado e derrubado o presidente eleito a 22 de Março, concluíram o ano forçando a demissão do primeiro-ministro e do seu governo em Dezembro.

    Enquanto isso, as milícias islâmicas ligadas a al-Qaida controlam dois-terço do norte do país desde Abril. A sua brutal aplicação da sharia, é acompanhada de apedrejamentos e amputações. Cerca de meio milhão de pessoas fugiram do norte. Esse número poderá ser multiplicado por dezenas ou mesmo centenas ou milhares durante a aguardada intervenção militar prevista para o próximo ano.

    Os líderes africanos obtiveram o apoio das Nações Unidas as operações militares que serão faseadas e englobando ao todo 3300 homens. Trata-se de uma força de contenção que em última instância poderá entrar em acção para apoiar as tropas malianas. A fase inicial vai ainda centrar-se em negociações e a restauração da ordem constitucional em Bamako.

    O observador permanente da União Africana nas Nações Unidas, o embaixador António Tete, disse perante o Conselho de Segurança que o envio da força militar ao Mali é parte integral de um plano de três vias que inclui negociações e o reforço da transição política.

    “Alguma percepção de falta de decisão em qualquer dessas vias, pode enviar uma mensagem errada aos terroristas e redes de criminosos, assim como a grupos armados que não se engajaram numa solução negociada, isso enquanto se prolonga o sofrimento da população civil e aumenta a ameaça regional e internacional a paz e segurança.”

    A impaciência vai no entanto crescendo no Mali. As milícias étnicas do norte vão se treinando próximo das linhas de combate. Analistas dizem que a retomada dos combates no norte pode conduzir a guerra civil e a represálias sangrentas.
    Os mesmos especialistas dizem que as forças armadas malianas não estão ainda prontas para a ofensiva.

    A resolução do Conselho de Segurança aprovada a 20 de Dezembro, não estipulou o prazo para a operação militar.O Representante Especial das Nações Unidas para a região do Sahel, Romano Prodi disse que ela não será possível antes de Setembro de 2013.

    “Qualquer esforço militar no Mali deve ter lugar após uma análise cuidada e com base na preparação, e esses esforços devem fazer parte de processo político acordado que aborde as vias do conflito.”

    O director para África do Oeste do International Crisis Group, Gilles Yabi disse ser impossível conhecer o risco da espera, perante a necessidade de meses de preparação.Yabi questiona, se o tempo irá dar aos grupos armados – alguns deles com ligações conhecidas a al-Qaida – mais tempo para recrutar e treinar o pessoal que irá levar a cabo ataques fora do Mali? Será que não se deve agir o mais rápido possível? Mas ele diz também ser difícil determinar, masque a urgência não devia justificar decisões precipitadas. O tempo gasto em negociações pode isolar os terroristas da linha dura e conduzir a uma estratégia de intervenção que minimiza os riscos em relação a população civil.”

    Jihadistas estrangeiros no norte do Mali ameaçaram levar a cabo ataques terroristas contra os países que contribuírem com tropas. Tentativas para derrotar os islamistas podem igualmente forçar os seus combatentes a transferirem o conflito para os países vizinhos.
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