quarta-feira, 30 julho, 2014. 07:00 UTC

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Concessões de largas extensões de terra ameaçam a segurança alimentar

FAO e Banco Mundial criaram o guia para ajudar os Estados pobres a tirarem um melhor proveito nos contratos de arrendamento de terras as multi-nacionais

Companhias chinesas também obtiveram contratos de grandes extensões de terra da parte de governos africanos
Companhias chinesas também obtiveram contratos de grandes extensões de terra da parte de governos africanos

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Redacção VOA
A procura em massa de terras agrícolas para a produção de alimentos, foragem e bio-combustíveis está a conduzir a cobiça de terrenos nos países em desenvolvimento.
Os investidores estão a aplicar dinheiro na compra de grandes extensões de terra em África, Ásia, Estados da antiga União Soviética etc.

Um novo relatório das Nações Unidas indica que o investimento na agricultura é essencial para ajudar os países em desenvolvimento a melhorarem a sua produção de alimentos e criação de emprego. Mas os especialistas afirmam que essas grandes compras de terrenos podem também ter consequências negativas, especialmente para as pessoas a viver nessas mesmas terras.

A região da Gambella na Etiópia é a zona onde existe algumas das últimas terras agrícolas no planeta. O governo etíope anunciou que concedeu mais de 225 mil hectares daquela terra a investidores estrangeiros, que prometeram projectos de mais de 2 mil milhões de dólares.

Os responsáveis etíopes afirmam tratar-se de um tipo de desenvolvimento agrícola que o país precisa para modernizar a agricultura, melhorar a produção alimentar e garantir postos de emprego.

Obang Metho sempre viveu em Gambella, e vê a realidade de forma diferente.

“Não falo como alguém contra investimentos. Mas sou contra o roubo a luz do dia, ou seja a olho nu. O que está a acontecer em África é um roubo.”

Obang Metho preside o Movimento de Solidariedade para uma Nova Etiópia, um grupo de activistas com sede em Washington. Afirma que foi retirado terras a um grupo de agricultores para permitir a instalação de empresas da China, Índia e Arábia Saudita que exportam as colheitas para os respectivos países.

A Human Rights Watch estima que 42 por cento das terras na região de Gambella foi concessionada ou cedida em projectos de natureza.

Metho diz por isso ser um sério problema para um país como a Etiópia, que debate-se com problemas de crise alimentar.

“Se eles têm terras para dar aos indianos ou árabes, chineses, sauditas, por que razão a Etiópia não usa essas terras para alimentar o seu povo etíope?”

A embaixada etíope em Washington diz que os pequenos agricultores não estão a ser penalizados e que serão tomadas medidas contra as companhias que transgredirem os direitos da população local. Mas as concessões de grandes extensões de terra em países em desenvolvimento tornaram-se num problema comum nos últimos anos perante a subida dos preços de mercadorias.

Michael Kugelman dirigiu a edição do livro The Global Farms Race – uma publicação sobre os investimentos agrícolas e a segurança alimentar.

“’A cobiça de terra’  é um tema controverso, mas penso ser exacto neste caso.”

Michael Kugelman adianta que os países importadores estão a procura de terras no estrangeiro para limitar os efeitos da exposição as oscilações dos mercados mundiais. Kugelman afirma por outro lado que esses países também têm falta de terra e água para produzirem alimentos e decidiram ir avançar paras os países que desejam os acolher. O autor acrescenta que muitos dos governos nos países de acolhimento são corruptos, pouco democráticos e os seus membros recebem algum dinheiro em benefício próprio nesses projectos.

Organizações Internacionais, incluindo a FAO – Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e o Banco Mundial entre outras, criaram um guia para os investimentos responsáveis destinado a resolver os problemas resultantes dessa nova relação entre os países pobres e as multi-nacionais.
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