quinta-feira, 11 fevereiro, 2016. 17:02 UTC

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    Estudo revela que crise económica afecta mais jovens do que adultos

    A crise económica global afectou mais fortemente mulheres e raparigas, segundo um relatório divulgado no Reino Unido por organizações de direitos das crianças e de desenvolvimento.

    A crise económica global afectou mais fortemente mulheres e raparigas, segundo um relatório divulgado no Reino Unido por organizações de direitos das crianças e de desenvolvimento.

    O estudo feito pelas organizações Plan International e Overseas Development Institute, revela que a recessão económica aumentou a taxa de mortalidade infantil das meninas e pode explicar o aumento dos abusos sofridos pelas mulheres e mesmo o facto de elas passarem fome.

    Segundo o documento, com o aumento da pobreza em consequência da estagnação, há um número cada vez mais elevado de famílias sem recursos que optam por tirar da escola as meninas mais velhas.

    O estudo cita como um dos exemplos a região mineira de Copperbelt, na Zâmbia, em que o desespero das mulheres levou a se envolverem em relações sexuais desprotegidas, mesmo pelo dobro do preço.

    Apesar do facto de que estas comunidades mineiras terem a maior prevalência de HIV no país, o número de mulheres jovens envolvidas no trabalho sexual aumentou rapidamente depois do início da crise, colocando muitas das meninas jovens e mulheres envolvidas em maior risco de contrair o HIV.

    A conclusão do ensino primário caiu 29% entre as raparigas, comparado com os menos de 22% dos rapazes que não concluíram os estudos primários.

    Segundo o relatório, muitas raparigas deixam de ir à escola para ajudar em casa, porque suas mães tinham que trabalhar mais horas fora de casa para compensar salários mais baixos.

    A propósito deste relatório, a Voz da América ouviu, Adérito Tchiuca, coordenador de Associação Denominada Grupo Teatral Damba Maria (ADGTDM), uma associação que tem usado o teatro para a sensibilização a contra Sida em Benguela.

    Tchiuca que desenvolve um projecto de apoio domiciliário e cuidados intensivos aos seropositivos, disse que apesar de Angola não ser fortemente afectada pela crise económica global, existem indicações de um aumento de infecções por HIV em raparigas e mulheres em função do retraimento da economia mundial.

    Tchiuca diz que maior parte das ONGs locais que trabalham em campanha de sensibilização contra o HIV/Sida, deixaram de fazer as suas actividades porque os financiadores internacionais retiraram os seus apoios devido a crise económica.

    Considera a pobreza em Angola como resultante da exclusão social e alerta para a existência de casos de pais que obrigam as crianças a trabalhar para ajudarem a manter a casa e elas acabam por se prostituir, sem terem nenhuma informação sobre as formas de prevenção contra doença.

    O relatório aponta as raparigas como sendo o grupo mais marginalizado do mundo e afirma que a proporção de raparigas que morreu desde o início da crise global é cinco vezes mais elevado que a taxa de mortalidade dos rapazes, desde a mesma altura.

    O presidente executivo da ONG de direitos das crianças Plan International, Nigel Chapman, um dos autores do estudo, falando à BBC referiu os dados de uma pesquisa do Banco Mundial em 59 países. Esses dados indicam que uma queda de 1% na actividade económica eleva a mortalidade infantil em 7,4 mortes por 1000 raparigas e de uma morte e meia por 1000 rapazes. Em muitos casos observou-se um aumento no número de casamentos de crianças quando se verifica a redução da actividade económica. "Famílias atingidas pela pobreza simplesmente não conseguiam alimentar todas essas bocas, então elas tentam casá-las mais cedo", disse Chapman.

    Em casa, as raparigas e as mulheres muitas vezes comem menos para garantir que o chefe da família, responsável pelo "ganha-pão", tenha alimentação suficiente. Por outro lado, raparigas e mulheres sofrem mais negligência e abusos do que sofriam antes da crise.

    Acrescenta que as raparigas e mulheres têm também menos acesso a serviços básicos e redes de segurança social. O relatório refere ainda que quando grávidas, elas recebem agora menos ajuda, deixando-as mais vulneráveis aos riscos que possam experimentar durante a gravidez.
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