quinta-feira, 17 abril, 2014. 06:56 UTC

Notícias

Egipto: Morsi é Anúncio de Nova Era Política

No seu primeiro discurso ao país como presidente-eleito, Morsi ofereceu uma visão de inclusão

Tamanho das letras - +
Ana Guedes

Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, foi eleito presidente do Egipto. A vitória do grupo islâmico após décadas de repressão dá início a uma nova etapa no drama central da política egípcia dos últimos 60 anos – que opôs e opõe a Irmandade muçulmana aos militares.

No seu primeiro discurso ao país como presidente-eleito, Morsi ofereceu uma visão de inclusão – em contraste com a campanha azeda de onde emergiu vitorioso.

O primeiro presidente egípcio eleito livremente apelou aos egípcios – muçulmanos e cristãos – a apoiarem o projecto da Irmandade para o renascimento nacional. Morsi prometeu lutar contra o sectarismo e o que descreveu como “tentativas” para destruir a unidade do país.

A desconfiança que se apoderou de todo o Egipto durante a campanha prolongou-se durante o longo período de espera que antecedeu o anúncio da vitória de Morsi. Uma multidão tensa de apoiantes de Morsi na praça Tahrir irrompeu em celebração com o anúncio dos resultados

Milhares gritavam o seu júbilo, de bandeirinhas na mão, enquanto o fogo-de-artifício iluminava o céu do Cairo assinalando a vitória.

A declaração de que Morsi obtivera 51.7% lançou o Egipto num caminho impensável com o seu antecessor. Em tempos preso político, durante o regime do deposto presidente Hosni Mubarak, Morsi, de 60 anos, tornou-se no seu substituto.

Mas a presidência é agora uma posição mais fraca do que aquela a que Morsi concorreu. O conselho governativo militar egípcio arrecadou para si os poderes executivos bem como o controlo legislativo depois de dissolver o parlamento que era dominado pela Irmandade Muçulmana.

O anúncio do vencedor pôs cobro a uma semana de tensão durante a qual os resultados foram adiados quando a comissão recebeu queixas de fraude eleitoral de ambas as partes. Morsi e o seu rival, Ahmed Shafiq, tinham reivindicado vitória no princípio da semana e muitos viam na espera um período de jogo de poder entre a Irmandade e o conselho militar sobre o balanço do poder no Egipto após a eleição.

O conselho Supremo das Forças Armadas - que tem dirigido o país desde a queda de Mubarak com o levantamento do ano passado - prometeu entregar o poder à liderança civil no final deste mês. Mas as suas acções dos últimos dias colocam em dúvida se cumprirá a promessa. Segundo o antigo candidato presidencial Abdullah al Ashall “o conselho está a testar a determinação popular, a tentar encontrar uma forma de regressar ao poder.”

Os apoiantes de Morsi prometem ficar na Praça Tahrir até que os militares devolvam alguns dos poderes que arrecadaram para si. O presidente-eleito formou uma frente de unidade nacional com os secularistas, liberais e alguns dos activistas que estiveram na génese da revolução no ano passado em desafio à possível continuidade da dominação pelos militares.

Morsi abdicou também das suas posições na irmandade Muçulmana fazendo jus à sua promessa de formar governo de inclusão.

Apesar do agora derrotado candidato Shafiq ter dito que aceitaria os resultados, continuam as dúvidas sobre como alguns dos seus apoiantes podem reagir. Muitos mostram-se receosos do crescente islamismo naquela que tem sido uma das mais tolerantes sociedades árabes.

Os analistas dizem, por outro lado, que a história da política egípcia aponta, entretanto, para que nos próximos meses se assista a uma luta pelo poder entre Morsi, o presidente-eleito, e os militares.

O forúm foi encerrado
Comentários
     
Năo existem comentários. Seja o primeiro

Siga-nos

Rádio

AudioAngola Fala Só: Ao Vivo I Mp3

Sexta 16:30 - 17:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Seg-Sexta 17:00 - 18:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Sáb-Dom 17:00 - 18:00 UTC

Os Nossos Vídeos

Your JavaScript is turned off or you have an old version of Adobe's Flash Player. Get the latest Flash player.
Manchetes Africanas 16 de Abrili
|| 0:00:00
...
 
🔇
X
16.04.2014
Vídeo

Vídeo "Temos muitos problemas na Guiné-Bissau", Abel Incada, candidato presidencial

Os guineenses foram às urnas a 13 de Abril e estão expectantes num novo Governo de paz e estável
Vídeo

Vídeo África do Sul vai a votos a 7 de Maio

Na África do Sul, o ANC está em campanha difícil para segurar o seu domínio no Limpopo, onde ganhou 85 por cento dos votos em 2009.
Vídeo

Vídeo Pistorius está no banco dos réus e a acusação tem sido dura

Os acusadores tentaram descrever o atleta sul-africano Oscar Pistorius como egoísta e abusivo durante o segundo dia de interrogatório no seu julgamento por homicídio.
Vídeo

Vídeo A luta dos medicamentos baratos

O Governo da África do Sul vai aprovar reformas sobre propriedade intelectual – incluindo patentes de medicamentos – que para activistas de saúde poderão permitir que mais sul-africanos possam ter acesso a medicamentos genéricos,
Mais Vídeos