quinta-feira, 24 julho, 2014. 02:19 UTC

Notícias / Opinião e Entrevistas

CEDEAO recuou porque "tem medo de ser derrotada na Guiné-Bissau", diz analista

Nelson Pestana diz que nova atitude da CEDEAO permitirá aos militares enfraquecer o "poder hegemónico" de Carlos Gomes Júnior

Politólogo Nelson Pestana, da Universidade Católica Angolana
Politólogo Nelson Pestana, da Universidade Católica Angolana

Multimédia

Áudio

CEDEAO receia derrota militar na Guiné-Bissau

O analista angolano Nelson Pestana “Bonavena” afirma que o recuo da CEDEAO na Guiné-Bissau se deve ao facto de aquela organização regional recear ser derrotada numa intervenção militar no país.

A CEDEAO, Comunidade dos Estados da África Ocidental, respondeu ao golpe na Guiné-Bissau, exigindo, no mês passado, o retorno imediato à ordem constitucional.

Posteriormente, contrariando a ONU, a União Africana e a CPLP, a CEDEAO passou a solução da crise para o parlamento guineense, que se encontra, para todos os efeitos, sob o controle dos militares.

E abandonou a exigência de retorno do país à ordem constitucional – exigência que, inicialmente, se dispunha a impor pela força. Nelson Pestana, do Centro de Estudos Científicos da Universidade Católica Angolana, disse, numa entrevista à VOA, que a CEDEAO teve medo das consequências de uma intervenção militar.

Após um discurso inicial “peremptório e musculado” a organização regional “percebeu que poderia cair numa armadilha – ver-se perante a resistência dos militares e um confronto armado para o qual a CEDEAO não está preparada e poderia traduzir-se num verdadeiro desastre militar” para qualquer força que interviesse”.

Pestana lembrou a experiência negativa do Senegal, quando em 1988 interveio na Guiné-Bissau para “socorrer Nino Vieira”.

“Garantiu durante algum tempo o poder de Nino Vieira – mas depois a rebelião venceu e o Senegal saiu derrotado, envergonhado e humilhado”.

Nelson Pestana disse que o recuo da CEDEAO, provavelmente, vai saldar-se pelo cumprimento dos objectivos dos golpistas.

“Eles vão ter melhores condições de enfraquecer o poder hegemónico que Carlos Gomes Júnior já estava a ter e que queria consolidar através da legitimidade do voto, voto esse que foi contestado por todos os candidatos. A verdade eleitoral foi contestada”, disse o académico angolano.

Pestana crê que apesar da legitimidade das queixas sobre fraude eleitoral, os militares não podem permanecer no poder a longo prazo.

O poder, segundo ele, terá que ser transferido para civis eleitos num processo verdadeiramente livre e justo. “Temos muitos casos – disse – em que a fraude eleitoral é considerada verdade eleitoral”.


O forúm foi encerrado
Comentário
Comentários
     
por: VOA
11.05.2012 09:49
Caro Jaquite So. Ouvido com atenção, o analista citado referia-se à ameaça inicial da CEDEAO de usar a força contra os militares golpistas. A nova força que acaba de ser anunciada não tem o mesmo objectivo, visto que a CEDEAO já não pretende ir contra os golpistas e adoptou a agenda destes.


por: Jaquite So
10.05.2012 19:43
Cada analista neste mundo ! Entao e a CEDEAO que vai enviar a forca de interposicao, com o aval dos militares e sao eles os derrotados ? E os angolanos da MISSANG que estao ca para proteger o Carlos Gomes Junior, nao actuarao porque ? Para nao levar no focinho, Aqui na Guine Bissau, vamos virar canibai, vamos vous comer angolanos de me... com cabelo e tudo.

Militar na Linha de frente


por: Bacudo
10.05.2012 19:16
Disse verdade quanta à fraude eleitoral. A fraude eleitoral feita pala máquina do PAIGC na Guiné-Bissau, foi considerada pela CPLP e outras organizações como verdade eleitoral... E factos como esses colocam a África como está hoje e vai estar ainda por muitos décadas.


por: Bacudo
10.05.2012 19:16
Disse verdade quanta à fraude eleitoral. A fraude eleitoral feita pala máquina do PAIGC na Guiné-Bissau, foi considerada pela CPLP e outras organizações como verdade eleitoral... E factos como esses colocam a África como está hoje e vai estar ainda por muitos décadas.


por: Elias Mucanda
10.05.2012 14:38
O problema da Guine Bissau tem muito a ver com a forma como se processou a descolonização. O colonizador destruiu as estruturas politicas, administrativas, economicas e sociais que encontrou neste país e implantou a divisão entre os povos. As elites africanas tbém são culpadas porque após as independencias instalaram modelos europeus nos seus paises, não tiveram em conta a especificidade cultural dos seus paises. No entanto a CEDEAO tomou uma inteligente medida. mucanda

Siga-nos

Rádio

AudioAngola Fala Só: Ao Vivo I Mp3

Sexta 16:30 - 17:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Seg-Sexta 17:00 - 18:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Sáb-Dom 17:00 - 18:00 UTC

Os Nossos Vídeos

Your JavaScript is turned off or you have an old version of Adobe's Flash Player. Get the latest Flash player.
Manchetes Africanas 23 Julho 2014i
X
23.07.2014 17:06
Os principais títulos que marcam a actualidade de África
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 23 Julho 2014

Os principais títulos que marcam a actualidade de África
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 22 Julho 2014

Os principais acontecimentos de 22 de Julho no continente africano
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 17 Julho 2014

Os principais acontecimentos que marcaram a actualidade desta Quinta-feira
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 16 Julho 2014

Os principais acontecimentos que marcaram esta Quarta-feira, no continente africano
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 15 Julho 2015

Os acontecimentos que fizeram a actualidade desta Terça-feira, no continente africano
Vídeo

Vídeo Brasileiros felizes com vitória alemã

A Alemanha ganhou o Mundial de Futebol derrotando a Argentina no Domingo por uma bola a zero no prolongamento. A VOA no Rio de Janeiro
Mais Vídeos