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Notícias / Opinião e Entrevistas

CEDEAO recuou porque "tem medo de ser derrotada na Guiné-Bissau", diz analista

Nelson Pestana diz que nova atitude da CEDEAO permitirá aos militares enfraquecer o "poder hegemónico" de Carlos Gomes Júnior

Politólogo Nelson Pestana, da Universidade Católica Angolana
Politólogo Nelson Pestana, da Universidade Católica Angolana

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CEDEAO receia derrota militar na Guiné-Bissau

O analista angolano Nelson Pestana “Bonavena” afirma que o recuo da CEDEAO na Guiné-Bissau se deve ao facto de aquela organização regional recear ser derrotada numa intervenção militar no país.

A CEDEAO, Comunidade dos Estados da África Ocidental, respondeu ao golpe na Guiné-Bissau, exigindo, no mês passado, o retorno imediato à ordem constitucional.

Posteriormente, contrariando a ONU, a União Africana e a CPLP, a CEDEAO passou a solução da crise para o parlamento guineense, que se encontra, para todos os efeitos, sob o controle dos militares.

E abandonou a exigência de retorno do país à ordem constitucional – exigência que, inicialmente, se dispunha a impor pela força. Nelson Pestana, do Centro de Estudos Científicos da Universidade Católica Angolana, disse, numa entrevista à VOA, que a CEDEAO teve medo das consequências de uma intervenção militar.

Após um discurso inicial “peremptório e musculado” a organização regional “percebeu que poderia cair numa armadilha – ver-se perante a resistência dos militares e um confronto armado para o qual a CEDEAO não está preparada e poderia traduzir-se num verdadeiro desastre militar” para qualquer força que interviesse”.

Pestana lembrou a experiência negativa do Senegal, quando em 1988 interveio na Guiné-Bissau para “socorrer Nino Vieira”.

“Garantiu durante algum tempo o poder de Nino Vieira – mas depois a rebelião venceu e o Senegal saiu derrotado, envergonhado e humilhado”.

Nelson Pestana disse que o recuo da CEDEAO, provavelmente, vai saldar-se pelo cumprimento dos objectivos dos golpistas.

“Eles vão ter melhores condições de enfraquecer o poder hegemónico que Carlos Gomes Júnior já estava a ter e que queria consolidar através da legitimidade do voto, voto esse que foi contestado por todos os candidatos. A verdade eleitoral foi contestada”, disse o académico angolano.

Pestana crê que apesar da legitimidade das queixas sobre fraude eleitoral, os militares não podem permanecer no poder a longo prazo.

O poder, segundo ele, terá que ser transferido para civis eleitos num processo verdadeiramente livre e justo. “Temos muitos casos – disse – em que a fraude eleitoral é considerada verdade eleitoral”.


O forúm foi encerrado
Comentário
Comentários
     
por: VOA
11.05.2012 09:49
Caro Jaquite So. Ouvido com atenção, o analista citado referia-se à ameaça inicial da CEDEAO de usar a força contra os militares golpistas. A nova força que acaba de ser anunciada não tem o mesmo objectivo, visto que a CEDEAO já não pretende ir contra os golpistas e adoptou a agenda destes.


por: Jaquite So
10.05.2012 19:43
Cada analista neste mundo ! Entao e a CEDEAO que vai enviar a forca de interposicao, com o aval dos militares e sao eles os derrotados ? E os angolanos da MISSANG que estao ca para proteger o Carlos Gomes Junior, nao actuarao porque ? Para nao levar no focinho, Aqui na Guine Bissau, vamos virar canibai, vamos vous comer angolanos de me... com cabelo e tudo.

Militar na Linha de frente


por: Bacudo
10.05.2012 19:16
Disse verdade quanta à fraude eleitoral. A fraude eleitoral feita pala máquina do PAIGC na Guiné-Bissau, foi considerada pela CPLP e outras organizações como verdade eleitoral... E factos como esses colocam a África como está hoje e vai estar ainda por muitos décadas.


por: Bacudo
10.05.2012 19:16
Disse verdade quanta à fraude eleitoral. A fraude eleitoral feita pala máquina do PAIGC na Guiné-Bissau, foi considerada pela CPLP e outras organizações como verdade eleitoral... E factos como esses colocam a África como está hoje e vai estar ainda por muitos décadas.


por: Elias Mucanda
10.05.2012 14:38
O problema da Guine Bissau tem muito a ver com a forma como se processou a descolonização. O colonizador destruiu as estruturas politicas, administrativas, economicas e sociais que encontrou neste país e implantou a divisão entre os povos. As elites africanas tbém são culpadas porque após as independencias instalaram modelos europeus nos seus paises, não tiveram em conta a especificidade cultural dos seus paises. No entanto a CEDEAO tomou uma inteligente medida. mucanda

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