sexta-feira, 01 agosto, 2014. 07:47 UTC

Notícias / Opinião e Entrevistas

CEDEAO recuou porque "tem medo de ser derrotada na Guiné-Bissau", diz analista

Nelson Pestana diz que nova atitude da CEDEAO permitirá aos militares enfraquecer o "poder hegemónico" de Carlos Gomes Júnior

Politólogo Nelson Pestana, da Universidade Católica Angolana
Politólogo Nelson Pestana, da Universidade Católica Angolana

Multimédia

Áudio

CEDEAO receia derrota militar na Guiné-Bissau

O analista angolano Nelson Pestana “Bonavena” afirma que o recuo da CEDEAO na Guiné-Bissau se deve ao facto de aquela organização regional recear ser derrotada numa intervenção militar no país.

A CEDEAO, Comunidade dos Estados da África Ocidental, respondeu ao golpe na Guiné-Bissau, exigindo, no mês passado, o retorno imediato à ordem constitucional.

Posteriormente, contrariando a ONU, a União Africana e a CPLP, a CEDEAO passou a solução da crise para o parlamento guineense, que se encontra, para todos os efeitos, sob o controle dos militares.

E abandonou a exigência de retorno do país à ordem constitucional – exigência que, inicialmente, se dispunha a impor pela força. Nelson Pestana, do Centro de Estudos Científicos da Universidade Católica Angolana, disse, numa entrevista à VOA, que a CEDEAO teve medo das consequências de uma intervenção militar.

Após um discurso inicial “peremptório e musculado” a organização regional “percebeu que poderia cair numa armadilha – ver-se perante a resistência dos militares e um confronto armado para o qual a CEDEAO não está preparada e poderia traduzir-se num verdadeiro desastre militar” para qualquer força que interviesse”.

Pestana lembrou a experiência negativa do Senegal, quando em 1988 interveio na Guiné-Bissau para “socorrer Nino Vieira”.

“Garantiu durante algum tempo o poder de Nino Vieira – mas depois a rebelião venceu e o Senegal saiu derrotado, envergonhado e humilhado”.

Nelson Pestana disse que o recuo da CEDEAO, provavelmente, vai saldar-se pelo cumprimento dos objectivos dos golpistas.

“Eles vão ter melhores condições de enfraquecer o poder hegemónico que Carlos Gomes Júnior já estava a ter e que queria consolidar através da legitimidade do voto, voto esse que foi contestado por todos os candidatos. A verdade eleitoral foi contestada”, disse o académico angolano.

Pestana crê que apesar da legitimidade das queixas sobre fraude eleitoral, os militares não podem permanecer no poder a longo prazo.

O poder, segundo ele, terá que ser transferido para civis eleitos num processo verdadeiramente livre e justo. “Temos muitos casos – disse – em que a fraude eleitoral é considerada verdade eleitoral”.


O forúm foi encerrado
Comentário
Comentários
     
por: VOA
11.05.2012 09:49
Caro Jaquite So. Ouvido com atenção, o analista citado referia-se à ameaça inicial da CEDEAO de usar a força contra os militares golpistas. A nova força que acaba de ser anunciada não tem o mesmo objectivo, visto que a CEDEAO já não pretende ir contra os golpistas e adoptou a agenda destes.


por: Jaquite So
10.05.2012 19:43
Cada analista neste mundo ! Entao e a CEDEAO que vai enviar a forca de interposicao, com o aval dos militares e sao eles os derrotados ? E os angolanos da MISSANG que estao ca para proteger o Carlos Gomes Junior, nao actuarao porque ? Para nao levar no focinho, Aqui na Guine Bissau, vamos virar canibai, vamos vous comer angolanos de me... com cabelo e tudo.

Militar na Linha de frente


por: Bacudo
10.05.2012 19:16
Disse verdade quanta à fraude eleitoral. A fraude eleitoral feita pala máquina do PAIGC na Guiné-Bissau, foi considerada pela CPLP e outras organizações como verdade eleitoral... E factos como esses colocam a África como está hoje e vai estar ainda por muitos décadas.


por: Bacudo
10.05.2012 19:16
Disse verdade quanta à fraude eleitoral. A fraude eleitoral feita pala máquina do PAIGC na Guiné-Bissau, foi considerada pela CPLP e outras organizações como verdade eleitoral... E factos como esses colocam a África como está hoje e vai estar ainda por muitos décadas.


por: Elias Mucanda
10.05.2012 14:38
O problema da Guine Bissau tem muito a ver com a forma como se processou a descolonização. O colonizador destruiu as estruturas politicas, administrativas, economicas e sociais que encontrou neste país e implantou a divisão entre os povos. As elites africanas tbém são culpadas porque após as independencias instalaram modelos europeus nos seus paises, não tiveram em conta a especificidade cultural dos seus paises. No entanto a CEDEAO tomou uma inteligente medida. mucanda

Siga-nos

Rádio

AudioAngola Fala Só: Ao Vivo I Mp3

Sexta 16:30 - 17:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Seg-Sexta 17:00 - 18:30 UTC
 

AudioEmissão Vespertina: Ao Vivo I Mp3

Sáb-Dom 17:00 - 18:00 UTC

Os Nossos Vídeos

Your JavaScript is turned off or you have an old version of Adobe's Flash Player. Get the latest Flash player.
Ivan Collinson - Participante Yalii
X
31.07.2014 20:06
Ivan Collinson - Participante Yali. Veio de Moçambique e é director adjunto do registo académico da Universidade Eduardo Mondlane. Ivan sente-se mais africano depois de participar na Iniciativa Jovens Líderes Africanos nos EUA
Vídeo

Vídeo Ivan Collinson - Participante Yali

Ivan Collinson - Participante Yali. Veio de Moçambique e é director adjunto do registo académico da Universidade Eduardo Mondlane. Ivan sente-se mais africano depois de participar na Iniciativa Jovens Líderes Africanos nos EUA
Vídeo

Vídeo Manchetes Americanas 31 Julho 2014

Câmara dos Representantes indicia processo contra Presidente Barack Obama
Vídeo

Vídeo Manchetes Africanas 31Julho 2014

Da propagação do vírus do ébola, aos ataques do Boko Haram. Os títulos que marcam a actualidade de África
Vídeo

Vídeo Cadija Mané - Participante Yali

Cadija Mané - Participante Yali. Veio da Guiné-Bissau, onde trabalha como coordenadora da Casa dos Direitos. Regressa para a Guiné com mais determinação e força de vontade para mudar as coisas
Vídeo

Vídeo Vilma Nhambi - Participante Yali

Vilma Nhambi - Participante Yali. Veio de Moçambique e tem um projecto com mulheres e adolescentes nas zonas rurais.
Vídeo

Vídeo Selma Neves - Participante Yali

Selma Neves - Participante Yali, veio de Cabo Verde. É Presidente da Incubadora, uma cooperativa de empoderamento de mulheres e fica por mais dois meses para um estágio em Nova Iorque
Vídeo

Vídeo Manchetes Americanas 29 Julho 2014

Os principais assuntos que fazem a actualidade dos Estados Unidos da América, com Bruna Ladeira
Vídeo

Vídeo Majo Joseph - Participante Yali

Majo Joseph - Participante Yali veio de Moçambique e a sua área de acção é a sociedade civil e seu empoderamento
Vídeo

Vídeo Akiules Neto - Participante Yali

Akiules Neto - Participante Yali. Veio de Angola e a sua vida são os números
Mais Vídeos