quinta-feira, 17 abril, 2014. 21:40 UTC

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Brasil: Eleições municipais alteram equilibrio de forças

Na visão de especialistas, fica claro que não existem mais partidos hegemónicos nas capitais brasileiras.

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Maria Cláudia Santos
As eleições municipais realizadas neste domingo, 7 de Outubro, em todo o Brasil apontam uma mudança de equilíbrio de forças os grandes partidos brasileiros.
Para alguns analistas, a fragmentação partidária evidenciada nesse pleito deve influenciar a disputa, daqui a dois anos, pela presidência do país.

Como as pesquisas estavam indicando, o Partido dos Trabalhadores, PT, da presidente Dilma Rousseff, e o PSDB, que marca a oposição ao governo da petista, observaram nas eleições municipais deste ano uma pulverização de votos para outros partidos.

Sete legendas elegeram prefeitos já no primeiro turno, realizado neste domingo. Mais oito siglas garantiram presença no segundo turno da corrida municipal, marcado para 28 de Outubro. No final do processo, o poder no Brasil pode ficar dividido entre 15 partidos.

Na visão de especialistas, fica claro que não existem mais partidos hegemónicos nas capitais brasileiras.  O cientista político António Jorge Pinto, lembra que, mais do que a dispersão dos votos entre as legendas, as eleições 2012 mostraram um fortalecimento dos partidos aliados ao governo federal. Mais fortes depois das eleições desse domingo, esses partidos devem dar trabalho para o PT daqui para frente. 



“O que me chama atenção é o fortalecimento de aliados. O PT vai ter que discutir a relação com os aliados que chegam com mais força em Brasília, ’’ afirma.

‘‘O Partido dos Trabalhadores sempre foi muito hegemónico nessa relação com partidos aliados. Isso sempre foi motivo de crítica, de mágoa desses aliados. Agora, com esse resultado das urnas, com a força que conseguiram, eles vão tentar equilibrar a relação, pelo menos em Brasília, “analisa.

É preciso destacar que, segundo os estudiosos, essas eleições não mostram, necessariamente, que os grandes partidos brasileiros, como PT, PSDB, PMDB e DEM, estão mal. O que acontece é que, cada vez mais, eles estão acompanhados por outros partidos.

Apesar da fragmentação partidária, o PT e o PSDB ainda conseguiram ampliar o número de prefeituras com relação às últimas eleições municipais, de 2008. O PSDB conseguiu fazer 787 prefeitos, contra 693 e o PT, que tinha 550 prefeituras, tem agora o poder em 628 administrações municipais. 

Mas, quantidade de prefeituras não significa qualidade. No caso do PT da presidente Dilma Rousseff, além de lidar com essa pulverização de votos, com a necessidade de tratar melhor os aliados, o Partido dos Trabalhadores pode ter sérios problemas caso fique confirmada a derrota do partido nas capitais dos dois maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo e Minas Gerais.  

Na capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, o Partido dos Trabalhadores foi derrotado, em primeiro turno. O candidato petista Patrus Ananias perdeu para Márcio Lacerda (PSB), que tinha o apoio do virtual candidato à presidência em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB).

Em São Paulo, José Serra (PSDB), disputa o segundo turno com um candidato escolhido pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o petista Fernando Haddad.  A batalha vai ser dura e pode envolver os dois ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). 

No discurso desse domingo, depois da confirmação de um segundo turno em São Paulo, José Serra (PSDB) já deu a entender que vai usar o escândalo “mensalão’ como estratégia para derrubar o candidato petista.

Serra afirmou que sua ação política é revestida de “valores” fazendo alusão ao escândalo de corrupção que envolve políticos do PT. Falando sobre valores, ele exaltou o trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF),   que julga os envolvidos no mensalão.

"A ação política é revestida de valores e eu quero reiterar isso aqui. Isso é muito importante, valores, que é uma coisa que no Brasil ameaçou, saiu de moda, e felizmente com o nosso STF esta voltando à moda, os valores." Serra destacou que para ele são importantes valores como "trabalho incessante" e a "valorização do mérito".

José Serra foi o único político que, nas eleições desse domingo, lembrou em declaração o mensalão. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carmem Lúcia, evitou falar sobre possíveis impactos do julgamento do escândalo nessas eleições. Pesquisas mostraram, até o último minuto antes das votações, que o mensalão não mudaria a intenção de voto do brasileiro.
   
O fato pode não ter alterado o voto, mas é possível que tenha desmotivado o eleitor.  Mais de 22 milhões de brasileiros, apesar de o voto ser obrigatório no Brasil, não foram às urnas.

Ao todo, mais de 128 milhões de brasileiros votaram nesse domingo. As apurações das eleições municipais foram as mais rápidas na história do Brasil. No próximo dia 28 de Outubro eleitores de 50 cidades, sendo 17 capitais, voltam às urnas.
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