sexta-feira, 19 setembro, 2014. 05:48 UTC

Notícias / África

Bissau: A mutilação genital feminina nada tem a ver com os princípios do Islão

A lei proíbe a pratica de excisão em todo o território guineense

Lassana Casamá
Os líderes da religião muçulmana na Guiné-Bissau assinaram hoje um documento que determina o compromisso de uma declaração pública de que a mutilação genital feminina nada tem a ver com os princípios do islão, conforme se fazia crer no seio da comunidade islâmica do país.


O documento segue-se a aprovação, em 2011, por parte dos deputados, da lei que proíbe a pratica de excisão em todo o território nacional.  

Fatumata Djau Balde, Presidente do Comité Nacional de Luta contra Praticas Nefastas na Saúde da Mulher e Criança, falou a Voz de América sobre o espírito do documento.  

Estiveram presentes no acto da assinatura da declaração mais de duzentos líderes religiosos em representação de todas as comunidades muçulmanas das regiões e sectores da Guiné-Bissau. Entre este número, contabilizaram-se cento e setenta Imames.

Em face disso, a Presidente do Comité Nacional de Luta Contra Praticas Nefastas na Saúde da Mulher e Criança acredita o documento hoje assunado pelos líderes religiosos vai ter um impacto positivo na luta contra a mutilação genital feminina

Entretanto, não obstante a vigência de uma lei punitiva sobre a prática, recentemente registou um caso de obstrução a esta mesma legislação na cidade de Gabu, leste do país, onde quatro crianças foram submetidas a mutilação genital feminina.

O alegado autor da prática esteve detido por algumas horas, tendo mais tarde colocado sob termo de identidade e residência. Uma medida coação aplicada depois da forte pressão da comunidade local sobre o Governador da Região de Gabu, que, por sua vez, foi obrigado a intervir-se junto das autoridades policiais e do Ministério Público.


A Presidente do Comité Nacional de Luta Contra Práticas Nefastas na Saúde da Mulher e Criança, no dia em que os líderes muçulmanos assinaram um compromisso em como não se pode usar o nome do islão para quaisquer ato ligado a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau.
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