quinta-feira, 05 março, 2015. 10:22 UTC

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Reino do Bailundo Mergulhado numa profunda crise

A morte do rei Ekuikui IV deixa o reino mergulhado numa crise profunda

Urna do Rei do Bailundo, Ekuikui IV, durante homenagem fúnebre no Huambo
Urna do Rei do Bailundo, Ekuikui IV, durante homenagem fúnebre no Huambo
António Capalandanda

Um reino posto em causa

A morte do Rei do Bailundo, na semana passada, veio concentrar atenções no caso das interferências político-partidárias que podem estar a contribuir para o desmoronamento do reino do Bailundo.

A morte do rei Ekuikui IV, autoridade tradicional máxima do reino do Bailundo, deixa o reino mergulhado numa crise profunda. Augusto Kachytiopololo, era o nome de baptismo do ancião que faleceu aos 94 anos, vítima de doença.

O seu antecessor foi Manuel da Costa (Ekuikui III) que governou o Bailundo entre 1977 e 1998. Segundo dados históricos, Manuel da Costa não pertencia a linhagem dos reis do Bailundo, mas sim dos reis da Luvemba. Mas subiu ao trono como Ekuikui III, tendo sido respeitado como tal.

Nos anos 80, foi raptado pela UNITA e levado para o antigo bastião do "Galo Negro", a Jamba, onde era tratado como um rei. Em 1992, com o deflagrar da guerra pós-eleitoral e consequente fixação de  Jonas Savimbi no Bailundo, Ekuikui III retoma o trono, diante da fuga de um novo rei, Augusto Kachytiopololo, Ekuikui IV, que lhe tinha tomado o lugar durante a sua ausência.

Quando Ekuikui III faleceu no final dos anos 90, mergulhou, de novo, o reino numa crise. As forças do governo tinham, entretanto, retomado o Bailundo, e o MPLA impôs a re-proclamação de Augusto  Kachytiopololo para rei, com o epíteto de Ekuikui IV. Kachytiopololo, de acordo com fontes históricas, era um homem comum, não pertencente a qualquer linhagem dos reis do Bailundo, e foi elevado à categoria de rei por questões essencialmente políticas, tendo mesmo sido eleito deputado do MPLA em 2008.Mas governo de Angola alega que Katchytiopololo foi neto do antigo Ekuikui ll , rei histórico da resistência colonial.

A sucessão obedece alguns rituais a serem observados. O ritual fúnebre foi feito durante o período da noite onde o corpo é enterrado e a cabeça depositada no tabernáculo. Óbito de  Katchytiopopolo termina a 19 de Fevereiro do corrente. Cabe aos  Mwekalhas, designação dada a  Corte tradicional,  a eleição do futuro rei.

O Reino do Bailundo foi fundado no século XV. Chegou a ser o maior,mais poderoso e influente reino do centro e sul de Angola. Actualmente continua a ser uma importante praça de disputa política.Recentemente, a Ministra Cultura, Rosa Cruz e Silva manifestou a a intenção do seu ministério reabilitar e requalificar o santuário onde jazem as ossadas dos soberanos Katiavala (fundador do Reino do Bailundo) e Ekuikui II pelo seu valor histórico e cultural.

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